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2007/10/04

Dirigentes da EADS/Airbus acusados de abuso de informação privilegiada

O organismo de supervisão do mercado de capitais em França (AMF), num relatório provisório, datado de 3 de Outubro, acusa 21 responsáveis da EADS de crime de abuso de informação privilegiada. A cúpula do consórcio europeu de aeronáutica terá facturado milhões com a venda de um elevado número de acções, dias antes de ser tornado público o cenário de dificuldades na subsidiária Airbus, revela uma notícia o jornal francês Le Figaro.

Os envolvidos (direcção e alguns dos principais accionistas da EADS) são considerados culpados do crime de abuso de informação privilegiada e “o Estado [francês] era conhecedor da situação”, refere um despacho da Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF), que segundo o jornal já foi entregue a um tribunal de Paris.

O documento aponta para um crime de insider trading “maciço”, entre Novembro de 2005 e Março de 2006, antes de serem conhecidas as dificuldades da Airbus com o superjumbo A380 e da consequente queda das acções da Airbus em bolsa.

Os grupos Lagardère e DaimlerChrysler, accionistas da EADS, bem como para a administração do consórcio e os gestores da Airbus são os visados na acusação da AMF e o próprio ministério francês das Finanças é também referido por, apesar de conhecer a situação, ter dado “luz verde” para que a Largadère vendesse as suas acções antes da quebra acentuada nos títulos da Airbus.

Gallois não comenta

Louis Gallois, presidente da EADS, não quis comentar as notícias sobre o relatório entregue pela autoridade para os mercados a um tribunal sobre o alegado uso de informações privilegiadas por parte de dirigentes.

As acusações remontam a uma altura em que Gallois ainda não fazia parte da administração da EADS e ocupava a presidência dos caminhos-de-ferro (SNCF).

"O inquérito começou há mais de um ano, não me admira que termine com um relatório. Mas sobre o conteúdo desse relatório já disse que não tenho nada a dizer", afirmou aos jornalistas o presidente da EADS.

O silêncio dos dirigentes contrasta com a revolta dos trabalhadores. Um dirigente sindical interroga: "Como é possível termos confiança no que a administração nos diz, que é preciso passar pelo programa Power 8, sabendo que andaram a meter dinheiro ao bolso?"

Se as acusações forem provadas, os 21 executivos implicados arriscam-se a penas que vão de multas, nunca inferiores às mais-valias que realizaram, até aos dois anos de prisão.