Cientistas alemães desmentiram os cálculos do geofísico Richard Gross, do Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA, depois deste ter afirmado que o terramoto de 8,8 graus na escala da Ritcher que arrasou o Chile, a 27 de Fevereiro, alterou o eixo da Terra em cerca de oito centímetros e veio encurtar os dias em 1,26 microssegundos.
A conclusão de Gross resulta de um modelo informático, através do qual se explica que sismos de elevada magnitude provocam uma alteração na distribuição da massa do planeta, apesar de as alterações provocadas pelo terramoto no Chile serem difíceis de detectar fisicamente.
Os peritos alemães negam, contudo, estas teorias, alegando que “as mudanças no eixo da Terra devido a um sismo são tão ínfimas que não se podem medir e, por isso, não são comprováveis”, segundo o professor Rainer Kind, do Centro de Pesquisa Geográfica de Potsdam.
O que a NASA descreveu “só seria possível por influência externa, através da queda de um meteorito, por exemplo, mas nesse caso os estragos seriam tão grandes que, comparativamente, a deslocação do eixo terrestre seria insignificante”, alegou.
Também o professor Karl-Heinz Glassmeier, da Sociedade Alemã de Geofísica, disse mesmo que tinha “deitado as mãos à cabeça” quando ouviu a notícia. “Parece que a NASA só quis aparecer nas manchetes dos jornais, porque é totalmente impossível provar que tenha havido uma deslocação de oito centímetros do eixo terrestre”, garantiu o perito na matéria.
A influência de um sismo sobre a inclinação do planeta Terra “é extremamente reduzida”, sublinhou também Mojib Latif, do Institituo de Ciências Marítimas de Kiel. “Os principais responsáveis pela inclinação da Terra são os astros que nos rodeiam, sobretudo os planetas maiores e mais pesados, com a força de atracção que exercem e que pode provocar um sismo de dimensões semelhantes ao do Chile”, explicou Latif.
Esta não é a primeira vez que foram detectadas alegadas mudanças provocadas por um sismo. Na sequência do terramoto de magnitude 9,1 da escala de Richter na ilha de Sumatra, na Indonésia, em 2004, o dia terá ficado mais curto 6,8 microssegundos e o eixo da Terra terá mudado cerca de sete centímetros.
O facto de o terramoto do Chile ter alterado mais o eixo do planeta, em comparação com o da Sumatra, de magnitude superior, tem duas explicações para os investigadores americanos: o sismo da Sumatra ocorreu mais perto do equador, enquanto o sismo do Chile ocorreu numa zona de latitude média, o que potencia a alteração vertical do eixo terrestre.

