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"A importância estratégica do Espaço"





Octávia Frota é licenciada em Química pela Universidade de Coimbra e possui um Mestrado em Ciências da Engenharia Mecânica, com uma especialização em Propulsão Sólida, pela mesma Universidade.

É doutorada na área de Safety of Explosive Systems/Cook-Off pelo Royal Military College of Science/Cranfield University, tendo sido a primeira pessoa a ser convidada pela universidade para efectuar um Doutoramento. O convite ocorreu em 1997.

Em Junho de 2002 passou a integrar os quadros da European Space Agency (ESA/ESTEC) na qualidade de Research Fellow, centrando-se a sua actividade nas áreas de Propulsão Sólida, Propulsão Híbrida e Monopropergóis Líquidos de Próxima Geração.

Octávia Frota é autora de varias publicações científicas em Propulsão Sólida, Cook-Off de Sistemas Explosivos, Propulsão Híbrida e Monopropergóis Líquidos de Próxima Geração e Monopropellants para aplicações espaciais.

Em Novembro de 2004 foi nomeada Deputy Director for Research & Technology na European Defence Agency. No R&T Directorate é responsável pelas áreas de Guidance, Energy & Materials (GEM), Space, Information Systems and Long Term Vision.
Como analisa a importância do Espaço na Economia e na Defesa dos Estados Europeus?

O Espaço é um sector industrial de importância estratégica em que a Europa tem de ter capacidades próprias. A sua importância deriva do facto de ser um instrumento essencial na Monitorização e Vigilância a todas as escalas (global, regional e nacional) que são essenciais para a segurança Europeia e Nacional.

Essa importância e esse interesse estratégico do Espaço já estão claros para as opiniões públicas e já se traduzem nas políticas europeias?

A importância do Espaço nas políticas europeias e na opinião pública é evidente. Seria difícil de outra maneira explicar a existência da Agência Espacial Europeia (ESA) há mais de 30 anos.

Como vê a actual situação de Portugal em matéria de indústria tecnológica e espacial, nomeadamente da empresa líder, a Edisoft?

Portugal tem desde a adesão à ESA um conjunto de empresas que trabalham activamente com a ESA e nos programas da União Europeia relativos a Espaço e Segurança.

Uma das linhas de força da Edisoft, por exemplo, é a aposta nas tecnologias de "dual use". Que importância atribui a estas tecnologias?

As tecnologias “dual-use” têm a vantagem, como diz o seu nome em inglês, de serem utilizadas nos sectores civil e de segurança. Esta qualidade permite que sob o ponto de vista económico se possam aplicar economias de escala que de outra forma não seriam possíveis.

Como perspectiva o horizonte nas áreas do Espaço e das Novas Tecnologias?

O Espaço sempre foi um sector que levou ao desenvolvimento e uso de novas tecnologias. Esta é também uma das razões, como já dito na primeira resposta, para a importância estratégica do Espaço.

Tem Portugal capacidade para ser um player nestas áreas?

Sim. Existem em Portugal Instituições vocacionadas para a Investigação e Tecnologia bem como Empresas que têm capacidade de fazer contribuições significativas nestas áreas.

Em relação à Agência Europeia de Defesa, que oportunidades oferece à indústria portuguesa, em particular à indústria de defesa?

A indústria portuguesa tem agora a oportunidade de concorrer e participar em competição aberta a nível Europeu em todas as iniciativas da Agência relativas à investigação, tecnologias e fornecimento de uma forma geral.

Uma das tarefas da Agência consiste em descobrir onde estão os centros europeus de excelência em matéria de investigação e tecnologia. Qual é o panorama actual? E em Portugal?

Esta tarefa da Agência não é descobrir mas identificar os centros de excelência que são de responsabilidade exclusivamente nacional (de cada um dos estados membros). Este exercício está a decorrer e seria aqui prematuro discuti-lo.

Entre as missões da Agência conta se o reforçar da base industrial e europeia no domínio da Defesa e criar um mercado europeu de equipamento de Defesa competitivo, como é que uma pequena potência como Portugal pode inserir se, contribuir e ganhar com a realização deste objectivo?

A Agência Europeia de Defesa oferece um enquadramento institucional que permite aos Países de menor dimensão, como é o caso de Portugal, um envolvimento e uma influência em matérias que de outra forma seriam deixadas unicamente aos grandes Países e as suas grandes Empresas. O Código de Conduta para Aquisições em matéria de Defesa, que foi acordado pelos Estados Membros da Agência no ano transacto e que passa a vigorar a partir de Julho próximo, promoverá competição a nível Europeu e permitirá às empresas competir para implementação de produtos e projectos em outros países. Estão contempladas regras de excepção que permitirão a pequenas e médias empresas beneficiar desta nova situação. Tudo isto deverá resultar em benefício para todos os pequenos Estados Membros da Agência, como é o caso de Portugal.

Compete também à Agência promover a investigação, com vista a reforçar as potencialidades industriais e tecnológicas no domínio da Defesa e encorajar os governos dos Estados Membros a consagrarem os orçamentos de Defesa aos desafios futuros e não às ameaças do passado, estes objectivos parecem vir muito ao encontro dos projectos do Governo português, vulgarmente designados por “Plano Tecnológico”... Quer comentar?

Não. Não é da minha competência fazê-lo.