A fabricante aeroespacial EADS Astrium quer transformar o ATV (Automated Transfer Vehicle) Jules Verne, que está actualmente acoplado à Estação Espacial Internacional (ISS) num veículo de transporte de astronautas.
Um modelo à escala real de uma variante do Jules Verne foi apresentado recentemente no “International Aerospace Exibition”, de Berlim.
A nave não-tripulada Jules Verne foi lançada para órbita a 9 de Março com 20 toneladas de comida, água, combustível e alguns equipamentos experimentais. Contudo, a sua robustez, fiabilidade e câmara pressurizada tornam plausível que seja adaptada para um vaivém espacial tripulado, até porque com o fim dos Shuttles norte-americanos previsto para 2010, a Europa tem que depender inteiramente das Soyus russas para transportar os seus astronautas.
A EADS apresentou, assim, os planos de adaptação à agência espacial europeia ESA, que agora deverá decidir sobre o futuro do projecto. Espera-se que o primeiro vaivém tripulado europeu voe até 2017 com capacidade para três tripulantes.
NASA quer que Europa desenvolva ATV
Ao mesmo tempo que a EADS Astrium solicita o financiamento europeu para uma versão tripulada do ATV (Automated Transfer Vehicle) e a ESA está em negociações com a Rússia para participar no ACTS/CSTS (sistema de transporte de tripulação), a NASA quer incentivar a Europa a desenvolver a sua própria nave espacial tripulada, uma proposta que tem gerado alguma turbulência nos gabinetes europeus.
O êxito do ATV Jules Verne demonstrou que a Europa tem a tecnologia e a capacidade necessárias para construir um aparelho deste tipo, a um custo e num prazo relativamente curtos.
Jules Verne ganha mês suplementar
A nave Jules Verne, acoplada à ISS desde 3 de Abril, ficará mais um mês em órbita face ao que estava planeado. O sucesso completo da missão e o bom funcionamento do veículo permitiu que o ATV prolongasse a estadia até Setembro.
O Jules Verne fez, entretanto, história no programa espacial europeu, ao ser utilizado para reabastecer a ISS, em órbita da Terra, numa velocidade de 28000 quilómetros/hora. Esta foi a primeira vez que uma nave espacial conseguiu reabastecer uma estrutura em órbita.

