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Edisoft reforçada na guerra das estrelasA recentíssima recomposição da indústria europeia do espaço reforçou a posição da portuguesa Edisoft. A Thales, accionista de referência da primeira empresa portuguesa de infoware, de que detém 30%, fechou uma aliança com a Alcatel que altera todo o dispositivo industrial e o próprio mercado da indústria espacial.
Sabemos que, durante os momentos quentes deste processo, passaram por Lisboa dirigentes da Thales que mantiveram o top management da Edisoft ao corrente das negociações, praticamente em tempo real.
Este acompanhamento permitiu já a assinatura de um acordo “fabulosamente importante” para o desenvolvimento da área de negócios de sistemas espaciais da Edisoft.
Fonte próxima do processo referiu que “este acordo vem reforçar imenso a intervenção em áreas de desenvolvimento crítico de software para sistemas embarcados nos satélites e sistemas de controlo "em terra".
Com este movimento “ a Edisoft reforça significativamente a sua liderança no sector espacial nacional e prepara a apresentação de novos sistemas críticos na área da segurança colectiva”.
Nesta mesma linha, conclui a nossa fonte, “a Edisoft com a Alcatel acabam de apresentar à Europa o que será o sistema crítico de coordenação das autoridades europeias de protecção civil, em casos de emergência colectiva.”
Alcatel aumenta posição na Thales
A Alcatel aumentou a sua participação no capital da Thales, grupo de electrónica e defesa, para 21,6% e, em troca, a Alcatel traz para a Thales o seu ramo de satélites.
A empresa permanece, assim, como o segundo accionista da Thales, logo a seguir ao estado francês. Até agora, o grupo de equipamentos de telecomunicações francês detinha 9,5% da participação no capital da Thales enquanto que o primeiro accionista possuía 31,3 %. A subida da Alcatel vem reduzir a participação do estado francês em 27,1%.
Com este negócio, a Thales obtém o acesso a vários activos no domínio do espaço - a participação de 67% Alcatel no capital Alcatel Alenia Space, um líder mundial no domínio da construção de satélites para uso civil e militar, e a participação de 33% Alcatel no capital de Telespazio, líder mundial nos serviços satélites. No domínio dos sistemas críticos para a segurança, a Alcatel traz para a Thales as actividades “Sistemas de Transportes”, um líder mundial no domínio das soluções de sinalização para transportes de caminhos de ferro e metro urbanos, e as actividades de integração de sistemas não dedicados para operadores de telecomunicações.
Thales, o novo actor da defesa
A aliança bipartida entre a Thales e Alcatel propulsiona o grupo de electrónica de Defesa para voos mais altos. A Thales soube inverter a tendência negativa dos últimos anos, no sector da defesa em França, de modo a tornar-se incontornável. "A nova Thales será mais consequente que o pólo militar da EADS" diz um analista de uma sociedade de bolsa parisiense, ouvido pelo L’Expansion.com.
A Thales está presente nos aviões de combate, nos navios de guerra, nos sistemas de segurança informática e doravante, nos satélites. Com os seus 10,3 mil milhões de euros de volume de negócios, o grupo dirigido por Denis Ranque está longe de ser um peão no tabuleiro de xadrez, tanto quanto o contributo da sucursal Alcatel Alenia Space, co-detida pela Alcatel e pelo grupo italiano Finmeccanica, pesa pouco mais de 2 mil milhões de euros na sua actividade.
Privatizado em 1998, rebaptizado em 2000, grupo Thales não parou de multiplicar as suas ofensivas. Assim, aproximou-se do Britânico BAE Systems para o fabrico porta-aviões e, sobretudo, concluiu um acordo capitalista de primeiro plano com o DCN francês, com uma participação de 25%, que poderá ser o pilar de um eventual “Airbus naval”.
EADS em posição difícil
O grupo franco-alemão EADS vê afastarem-se os seus dois fundadores privados, Lagardère e DaimlerChrysler, e estagna na indústria de defesa sem se conseguir esquivar à parceria Alcatel/Thales.
Abandonada parcialmente por dois dos seus accionistas privados históricos, a EADS acaba de encaixar golpe sobre golpe numa dupla desilusão. A retirada de capital iniciada pelos accionistas Lagardère e DaimlerChrysler era previsível e esperada pelos mercados, a curto prazo, mas em contrapartida, a sua aposta num desvio em relação à aliança Alcatel/Thales constituiu um verdadeiro revés.
Estas saídas de dois dos seus "pilares" têm como motivação o facto de ambos os grupos quererem concentrar-se no seu “business core” - o francês nos meios de comunicação social e o alemão no sector automóvel. Além disto, a venda das acções que detêm na EADS poderão render, segundo as previsões, cerca de 2 mil milhões de euros a cada um dos grupos.
Ao mesmo tempo, o grupo co-presidido por Natal Forgeard e Tomas Enders sofreu, uma terrível afronta, ao ser afastado do movimento de concentração na indústria da defesa, o seu ponto fraco recorrente, um sector que representa apenas 20% da sua actividade contra 50% no caso da Boeing. Enquanto noutro cenário podia fazer-se valer do apoio do Eliseu e esperar, assim, por pesar no movimento de concentração, com a consequente valorização da sua sociedade Astrium, a EADS volta a estar marginalizada, com proveito para a aliança Alcatel/Thales, esta última a grande vencedora deste processo.
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