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Entrevista2008/10/08
“Queremos ajudar à criação de um cluster aeroespacial em Portugal”
Serge Bitboul fala, pela primeira vez depois da decisão de levar o Skylander para França, em entrevista à EspacialNews. E diz que esta decisão permitiu já que a GECI Internacional negoceie a transformação das centenas de intenções de compra em encomendas fechadas e tenha avançado nas instalações fabris.
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Todo o mercado reagiu, aliás, muito bem a esta decisão. Serge Bitboul explica também que não esquece Portugal, que viveu intensamente nos últimos 4 anos, não esquece os amigos que fez e mantém a intenção de ter parceiros portugueses no Skylander. Revela ainda que está disposto a ajudar na concretização do objectivo português de criação de um cluster aeroespacial.
Qual é o estado actual do projecto Skylander?
Actualmente, as nossas equipas estão a preparar as novas instalações na região da Lorena. Deveremos começar a trabalhar no local em menos de dois meses e planeamos transferir os equipamentos e sistemas de engenharia já em Novembro. O facto de termos hoje uma localização definitiva para o projecto Skylander faz com que os nossos parceiros e os operadores que querem adquirir aparelhos Skylander – e que, nesse sentido, nos entregaram já intenções de compra – se sintam confortáveis com a decisão que tomámos. Estes operadores, por acreditarem neste projecto, estiveram sempre connosco, e, agora, com a decisão definitiva, tomada em Setembro, estamos a intensificar as negociações para fecharmos as encomendas de aeronaves.
Em Portugal, a nossa relação com o gabinete do primeiro-ministro e com o presidente da Câmara de Évora foi excelente e exemplar, mas neste projecto não se podia esperar mais tempo, como agora bem se vê.
Este projecto é muito significativo no mundo aeroespacial e tem atraído muitas atenções e interesse. É um projecto muito sério e tido como tal pelos actores deste mercado e pelos nossos accionistas.
Porque escolheu a Geci International a região da Lorena?
A Lorena é uma região onde ocorreram diversos problemas relacionados com a desmilitarização. Muitas instalações militares foram encerradas ou estão a encerrar e era importante para as autoridades governamentais, regionais e locais que fossem identificadas oportunidades de implementação de projectos que dessem a garantia de uma reabilitação do tecido industrial e económico da região e que assegurassem a absorção da mão-de-obra qualificada. As autoridades querem ter a garantia de que o desenvolvimento económico está bem suportado em projectos sustentáveis, como o Skylander.
Sabemos que o governo francês mostrou um interesse muito forte no Skylander…
O governo francês e os seus líderes demonstraram, de facto, muito interesse em que o projecto fosse feito em França.
Houve, entretanto, novos desenvolvimentos no projecto, em particular no número de intenções de compra?
Nós estamos neste momento mais concentrados em transformar as intenções de compra em encomendas fechadas. Neste momento, estas negociações decorrem já com dez empresas... Agora, depois de resolvida em definitivo a questão da localização, é mais fácil avançar para esta fase do projecto porque podemos afirmar, de um modo seguro, de que os aviões Skylander vão ser produzidos na Lorena.
Afirmou recentemente que continua disponível e interessado em manter os parceiros portugueses no projecto…
Sim, o facto de nos estarmos a instalar na Lorena não mudou a nossa intenção em relação aos parceiros portugueses, como a Lauak e a Incompol. Confiamos que continuarão a trabalhar connosco no futuro do programa Skylander e estamos, também a estudar alguns projectos de modo a concretizarmos o que sempre quisemos fazer, ou seja, contribuir para a criação de um cluster aeroespacial em Portugal.
Gostaria de salientar que ao longo destes quatro anos descobri muitos bons profissionais em Portugal, muitos bons amigos, e que tudo farei para garantir que esta relação de confiança possa ajudar ao desenvolvimento da indústria aeroespacial em Portugal. Acreditamos firmemente que é muito importante que as indústrias portuguesas estejam envolvidas na indústria aeroespacial e se pudermos dar algum contributo para que isso suceda ficaremos extremamente felizes. Em Portugal, há já uma indústria automóvel de grande qualidade, com bons profissinais e bons métodos de produção e seria fundamental que alguns dos métodos aplicados nesta indústria fossem transportados e integrados na criação de uma indústria aeroespacial de dimensão internacional. Entendemos que existe em Portugal alguma capacidade, mas a indústria portuguesa precisa de envolver-se mais em projectos internacionais. Só assim se poderá desenvolver...
André Gonçalves Nunes
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