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Entrevista

2009/02/03

Américo Thomati, Presidente da Comissão Executiva do Taguspark

"Taguspark renova estratégia e afirma-se motor da inovação"

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Maior parque de Ciência e Tecnologia do país, o Taguspark tem mais de 150 empresas de base tecnológica e tem a inovação no seu código genético. Constituído por "tecnológicas" e com a inovação como fundamento, o "Tagus" evolui. E depressa... Nesta entrevista exclusiva, o presidente da Comissão Executiva do Taguspark, Américo Thomati, fala da evolução da estratégia face a uma realidade em constante mudança, mas onde a inovação assume permanentemente um papel central. A fidelidade do "Tagus" aos seus objectivos leva-o, portanto, a uma permanente atitude de mudança, no quadro da Sociedade do Conhecimento e da Informação. Mudança, reposicionamento, ajustamento de imagem, eis a constante da estratégia de um parque empresarial único em Portugal, de um “Parque Inteligente”.


Desde a criação do Taguspark, em 1992, a relação de Portugal com as áreas da ciência e da tecnologia sofreu uma evolução significativa. Hoje, muito se fala do “choque tecnológico”, na necessidade de inovação e de uma aposta nas novas tecnologias da informação e do conhecimento. Como responde hoje o Taguspark a esta urgência de uma afirmação do país na Sociedade do Conhecimento e que papel pode ter nesta afirmação?

A meu ver, hoje um Parque de Ciência e Tecnologia tem, de facto, de ser visto à luz da Sociedade do Conhecimento. E o Taguspark, como o maior parque de Ciência e Tecnologia do país, sente e quer assumir a intenção de se transformar em núcleo gerador da Sociedade do Conhecimento em Portugal.

Mais do que a âncora do desenvolvimento tecnológico do concelho de Oeiras, onde estamos instalados, queremos criar no Taguspark uma centralidade na dinâmica de desenvolvimento tecnológico intensivo do país, através do acolhimento e estímulo das sinergias entre um tecido empresarial diversificado, com uma forte componente de inovação e de internacionalização.

Estamos empenhados em oferecer todas as condições para o reforço da competitividade nas empresas instaladas e para que o Taguspark seja um exemplo daquilo que deve ser um “Parque Inteligente”, com um ambiente empresarial e social que estimula o conhecimento e a inovação, pelo conjunto de soluções, infra-estruturas e estruturas de apoio que são colocados à disposição de instituições e empresas.

“Work, Live & Play”

Como se concretiza essa evolução?

Em primeiro lugar, posso adiantar que renovámos já a nossa estratégia, para fazer face a uma nova realidade, que exige mais dos parques de Ciência e Tecnologia. Hoje como dizia no início da entrevista, estas duas áreas assumem um papel fundamental no desenvolvimento económico.

Reposicionámos, por isso, a nossa estratégia, que será acompanhada de um ajustamento da imagem, para desenvolvermos um projecto orientado sobretudo para a criação de Conhecimento – pela aposta ainda maior na ligação entre universidades, centros de investigação e empresas -, de Inovação, de novas empresas de base tecnológica, capazes de desenvolver projectos e de se afirmarem no mercado nacional e global.

O Taguspark, mais do que um excelente local de acolhimento de empresas de base tecnológica deve assumir um papel dinamizador enquanto plataforma de geração de sinergias estratégicas, de transferência de informação, conhecimento e competências e com condições de excelência para a incubação e apoio ao empreendedorismo nos sectores estratégicos. Estamos, por isso, a trabalhar para concretizar esta ideia.

A visão que temos para o Taguspark assenta no conceito “Work, Live & Play”. Ou seja, queremos que o nosso parque de ciência e tecnologia seja um espaço aberto à comunidade, um espaço de trabalho, de produção intensiva de conhecimento e inovação, mas também um espaço de lazer, e de habitação (nomeadamente de residência universitária). Queremos contrariar a ideia de que estes espaços se reduzem a locais de trabalho e de alojamento de empresas.

"Portugal mudou..."

Apesar da evolução tecnológica do país, nos últimos, anos e dos passos dados para a criação de uma verdadeira Sociedade do Conhecimento com impactos visíveis no tecido económico e empresarial, a verdade é que há ainda a ideia de Portugal como um país de mão-de-obra barata, onde a principal vantagem competitiva reside nos menores custos de produção. E, mesmo quando existe desenvolvimento tecnológico, muitos acusam tratar-se apenas de imitação…

Essa ideia de Portugal como país “low cost” não podia estar mais errada. Creio que Portugal mudou e não pode já hoje ser considerado, porque não o é, um país de “low cost” a nível da força de trabalho, mas sim um país que tem outras condições, para oferecer a quem lá se quer instalar, em particular para empresas que queiram desenvolver a sua cadeia de valor pela inclusão da inovação e das novas tecnologias.

Entendo, contudo, que um modelo de desenvolvimento bem sucedido terá de passar pela inovação e não pela imitação. Não há, quanto a mim, forma de encarar o modelo de desenvolvimento económico de Portugal que não passe pela inovação e pelo abandono do modelo da imitação.

Hoje numa economia como a portuguesa, mais do que o alcatrão e o cimento, é fundamental apostar na inovação, e temos já vários exemplos de que as empresas portuguesas são capazes de competir em todo o mundo e que Portugal pode acolher grandes grupos internacionais, que já perceberam que no nosso país podem investir não a pensar numa lógica de imitação com menos custos, mas numa lógica de inovação e aproveitando o valor acrescentado que pode ser dado pela nossa mão-de-obra especializada.


Um outro problema identificado correntemente é o da falta de ligação entre universidades e empresas. No caso do Taguspark, onde estão alojadas tanto universidades como empresas, sente-se esta dificuldade?

O Taguspark foi criado a pensar nessa ligação. Somos uma sociedade de direito privado, com uma estrutura accionista onde estão representadas e onde convivem num clima de grande harmonia, universidades, autarquias e empresas.

Temos desenvolvido e implementado as condições de acolhimento para a criação de plataformas e redes de conhecimento entre Universidades e empresas, temos procurado incentivar a I&D e criámos incubadoras para que os investigadores possam entrar na vida empresarial.

Neste campo, estamos agora empenhados em melhorar as nossas condições logísticas para o desenvolvimento de start-ups, com a criação de sistemas partilhados e apoio na elaboração de business plans. Queremos ainda criar uma plataforma de capital de risco para empresas de base tecnológica, algo que não existe ainda em Portugal. Existe já neste sentido um acordo com a Inovcapital e esperamos concretizar a curto prazo esta medida.

Aliás, a este propósito, uma das condições tidas em conta para a implementação de uma empresa no nosso parque é a disponibilidade para desenvolver uma plataforma de transferência de conhecimento com as universidades instaladas no Taguspark.

"Plataforma de Transferência"

Que tipo de empresas se podem instalar no Taguspark?

Uma empresa para se poder instalar no Taguspark tem de obedecer a um conjunto de condicionantes muito concretas, ou seja, o Taguspark não é um parque imobiliário, nem um parque industrial, é efectivamente um parque de Ciência e Tecnologia, um espaço onde procuramos criar plataformas de transferência de conhecimento entre as universidades, os centros de investigação e as empresas.

Para uma empresa se instalar tem de passar pelo crivo de um concelho científico e tecnológico que vê com a Comissão Executiva se há razões que impeçam o acolhimento de uma dada empresa. Tem de ter uma forte componente tecnológica e de preferência que esteja interessada em desenvolver a tal plataforma de transferência de conhecimento com as universidades instaladas no Taguspark, caso do IST uma das melhores universidades de engenharia da Europa.

Apesar de não ser um parque centrado nas TIC, temos um grande núcleo de empresas nesta área, mas também empresas ligadas às energias renováveis. Estamos ainda a lançar um cluster multimédia.


Quantas empresas acolhe o Taguspark?

Neste momento no Taguspark acolhemos, nos 180 mil metros quadrados construídos, de um total de cerca de 300 mil metros quadrados disponíveis, perto de 150 empresas, sobretudo da área das tecnologias de informação e da comunicação, das melhores que existem no nosso país. Temos, de facto, um conjunto de empresas muito interessante, casos da Microsoft, da Ydreams, da Chipidea.


Como tem visto aposta do Governo na Ciência e Tecnologia?

O balanço dessa aposta pode ser medido através de diversos indicadores, mas eu gostaria de me centrar num que me parece fundamental para o desenvolvimento sustentável de uma economia do conhecimento, centrada nas tecnologias e na inovação.

Nos últimos três anos tem existido um crescimento positivo de cercas de 3 a 5% de novas vagas nas áreas das Ciências e Tecnologias, e isto é de uma importância extrema para um país onde existem ainda muito poucos quadros com perfil adequado para podermos dar resposta aos futuros desafios da Sociedade da Informação e da Comunicação.

Entendo que houve um desígnio nacional que foi entendido, bem entendido, e tem estado a ser relativamente bem cumprido, tendo em conta as capacidades próprias de investimento do Estado.


José Mateus Cavaco Silva & André Gonçalves Nunes

Américo Thomati, Presidente da Comissão Executiva do Taguspark

"Taguspark renova estratégia e afirma-se motor da inovação"



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Maior parque de Ciência e Tecnologia do país, o Taguspark tem mais de 150 empresas de base tecnológica e tem a inovação no seu código genético. Constituído por "tecnológicas" e com a inovação como fundamento, o "Tagus" evolui. E depressa... Nesta entrevista exclusiva, o presidente da Comissão Executiva do Taguspark, Américo Thomati, fala da evolução da estratégia face a uma realidade em constante mudança, mas onde a inovação assume permanentemente um papel central. A fidelidade do "Tagus" aos seus objectivos leva-o, portanto, a uma permanente atitude de mudança, no quadro da Sociedade do Conhecimento e da Informação. Mudança, reposicionamento, ajustamento de imagem, eis a constante da estratégia de um parque empresarial único em Portugal, de um “Parque Inteligente”.


Desde a criação do Taguspark, em 1992, a relação de Portugal com as áreas da ciência e da tecnologia sofreu uma evolução significativa. Hoje, muito se fala do “choque tecnológico”, na necessidade de inovação e de uma aposta nas novas tecnologias da informação e do conhecimento. Como responde hoje o Taguspark a esta urgência de uma afirmação do país na Sociedade do Conhecimento e que papel pode ter nesta afirmação?

A meu ver, hoje um Parque de Ciência e Tecnologia tem, de facto, de ser visto à luz da Sociedade do Conhecimento. E o Taguspark, como o maior parque de Ciência e Tecnologia do país, sente e quer assumir a intenção de se transformar em núcleo gerador da Sociedade do Conhecimento em Portugal.

Mais do que a âncora do desenvolvimento tecnológico do concelho de Oeiras, onde estamos instalados, queremos criar no Taguspark uma centralidade na dinâmica de desenvolvimento tecnológico intensivo do país, através do acolhimento e estímulo das sinergias entre um tecido empresarial diversificado, com uma forte componente de inovação e de internacionalização.

Estamos empenhados em oferecer todas as condições para o reforço da competitividade nas empresas instaladas e para que o Taguspark seja um exemplo daquilo que deve ser um “Parque Inteligente”, com um ambiente empresarial e social que estimula o conhecimento e a inovação, pelo conjunto de soluções, infra-estruturas e estruturas de apoio que são colocados à disposição de instituições e empresas.

“Work, Live & Play”

Como se concretiza essa evolução?

Em primeiro lugar, posso adiantar que renovámos já a nossa estratégia, para fazer face a uma nova realidade, que exige mais dos parques de Ciência e Tecnologia. Hoje como dizia no início da entrevista, estas duas áreas assumem um papel fundamental no desenvolvimento económico.

Reposicionámos, por isso, a nossa estratégia, que será acompanhada de um ajustamento da imagem, para desenvolvermos um projecto orientado sobretudo para a criação de Conhecimento – pela aposta ainda maior na ligação entre universidades, centros de investigação e empresas -, de Inovação, de novas empresas de base tecnológica, capazes de desenvolver projectos e de se afirmarem no mercado nacional e global.

O Taguspark, mais do que um excelente local de acolhimento de empresas de base tecnológica deve assumir um papel dinamizador enquanto plataforma de geração de sinergias estratégicas, de transferência de informação, conhecimento e competências e com condições de excelência para a incubação e apoio ao empreendedorismo nos sectores estratégicos. Estamos, por isso, a trabalhar para concretizar esta ideia.

A visão que temos para o Taguspark assenta no conceito “Work, Live & Play”. Ou seja, queremos que o nosso parque de ciência e tecnologia seja um espaço aberto à comunidade, um espaço de trabalho, de produção intensiva de conhecimento e inovação, mas também um espaço de lazer, e de habitação (nomeadamente de residência universitária). Queremos contrariar a ideia de que estes espaços se reduzem a locais de trabalho e de alojamento de empresas.

"Portugal mudou..."

Apesar da evolução tecnológica do país, nos últimos, anos e dos passos dados para a criação de uma verdadeira Sociedade do Conhecimento com impactos visíveis no tecido económico e empresarial, a verdade é que há ainda a ideia de Portugal como um país de mão-de-obra barata, onde a principal vantagem competitiva reside nos menores custos de produção. E, mesmo quando existe desenvolvimento tecnológico, muitos acusam tratar-se apenas de imitação…

Essa ideia de Portugal como país “low cost” não podia estar mais errada. Creio que Portugal mudou e não pode já hoje ser considerado, porque não o é, um país de “low cost” a nível da força de trabalho, mas sim um país que tem outras condições, para oferecer a quem lá se quer instalar, em particular para empresas que queiram desenvolver a sua cadeia de valor pela inclusão da inovação e das novas tecnologias.

Entendo, contudo, que um modelo de desenvolvimento bem sucedido terá de passar pela inovação e não pela imitação. Não há, quanto a mim, forma de encarar o modelo de desenvolvimento económico de Portugal que não passe pela inovação e pelo abandono do modelo da imitação.

Hoje numa economia como a portuguesa, mais do que o alcatrão e o cimento, é fundamental apostar na inovação, e temos já vários exemplos de que as empresas portuguesas são capazes de competir em todo o mundo e que Portugal pode acolher grandes grupos internacionais, que já perceberam que no nosso país podem investir não a pensar numa lógica de imitação com menos custos, mas numa lógica de inovação e aproveitando o valor acrescentado que pode ser dado pela nossa mão-de-obra especializada.


Um outro problema identificado correntemente é o da falta de ligação entre universidades e empresas. No caso do Taguspark, onde estão alojadas tanto universidades como empresas, sente-se esta dificuldade?

O Taguspark foi criado a pensar nessa ligação. Somos uma sociedade de direito privado, com uma estrutura accionista onde estão representadas e onde convivem num clima de grande harmonia, universidades, autarquias e empresas.

Temos desenvolvido e implementado as condições de acolhimento para a criação de plataformas e redes de conhecimento entre Universidades e empresas, temos procurado incentivar a I&D e criámos incubadoras para que os investigadores possam entrar na vida empresarial.

Neste campo, estamos agora empenhados em melhorar as nossas condições logísticas para o desenvolvimento de start-ups, com a criação de sistemas partilhados e apoio na elaboração de business plans. Queremos ainda criar uma plataforma de capital de risco para empresas de base tecnológica, algo que não existe ainda em Portugal. Existe já neste sentido um acordo com a Inovcapital e esperamos concretizar a curto prazo esta medida.

Aliás, a este propósito, uma das condições tidas em conta para a implementação de uma empresa no nosso parque é a disponibilidade para desenvolver uma plataforma de transferência de conhecimento com as universidades instaladas no Taguspark.

"Plataforma de Transferência"

Que tipo de empresas se podem instalar no Taguspark?

Uma empresa para se poder instalar no Taguspark tem de obedecer a um conjunto de condicionantes muito concretas, ou seja, o Taguspark não é um parque imobiliário, nem um parque industrial, é efectivamente um parque de Ciência e Tecnologia, um espaço onde procuramos criar plataformas de transferência de conhecimento entre as universidades, os centros de investigação e as empresas.

Para uma empresa se instalar tem de passar pelo crivo de um concelho científico e tecnológico que vê com a Comissão Executiva se há razões que impeçam o acolhimento de uma dada empresa. Tem de ter uma forte componente tecnológica e de preferência que esteja interessada em desenvolver a tal plataforma de transferência de conhecimento com as universidades instaladas no Taguspark, caso do IST uma das melhores universidades de engenharia da Europa.

Apesar de não ser um parque centrado nas TIC, temos um grande núcleo de empresas nesta área, mas também empresas ligadas às energias renováveis. Estamos ainda a lançar um cluster multimédia.


Quantas empresas acolhe o Taguspark?

Neste momento no Taguspark acolhemos, nos 180 mil metros quadrados construídos, de um total de cerca de 300 mil metros quadrados disponíveis, perto de 150 empresas, sobretudo da área das tecnologias de informação e da comunicação, das melhores que existem no nosso país. Temos, de facto, um conjunto de empresas muito interessante, casos da Microsoft, da Ydreams, da Chipidea.


Como tem visto aposta do Governo na Ciência e Tecnologia?

O balanço dessa aposta pode ser medido através de diversos indicadores, mas eu gostaria de me centrar num que me parece fundamental para o desenvolvimento sustentável de uma economia do conhecimento, centrada nas tecnologias e na inovação.

Nos últimos três anos tem existido um crescimento positivo de cercas de 3 a 5% de novas vagas nas áreas das Ciências e Tecnologias, e isto é de uma importância extrema para um país onde existem ainda muito poucos quadros com perfil adequado para podermos dar resposta aos futuros desafios da Sociedade da Informação e da Comunicação.

Entendo que houve um desígnio nacional que foi entendido, bem entendido, e tem estado a ser relativamente bem cumprido, tendo em conta as capacidades próprias de investimento do Estado.


José Mateus Cavaco Silva & André Gonçalves Nunes