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China lança segunda missão tripulada da sua história
Num esforço do governo chinês para promover a uma imagem de potência tecnologicamente avançada, a China lançou com êxito a 12 de Outubro o seu segundo voo espacial tripulado na nave Shenzhou (Nave Divina) VI, para uma missão de cinco dias em volta da Terra.
Após o regresso dos dois taikonautas (astronautas), Fei Junlong e Nie Haisheng, a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua afirmou que a missão "cumpriu as experiências planeadas e acumulou valiosos dados técnicos" para o programa espacial tripulado da China. Além disto, esta missão representa também um grande avanço na concretização do programa militar chinês.
A nave Shenzhou VI pousou, de pára-quedas na Mongólia Interior e, segundo a agência, os dois taikonautas estavam "de boa saúde". Na altura, a televisão mostrou dezenas de técnicos a acompanhar a aterragem frente a ecrãs de computador num centro de controlo em Pequim, mas não exibiu quaisquer imagens da aterragem dos astronautas.
Parte da Shenzhou VI permaneceu em órbita e deverá continuar a funcionar durante cerca de seis meses, de acordo com a televisão oficial chinesa.
A “Nave Divina”
A nave Shenzhou VI entrou em órbita às 09:21 locais (02:21 em Lisboa), 21 minutos depois de ter sido lançada da base de Jiuquian, noroeste da China, por um foguetão Longa Marcha 2F.
O lançamento, transmitido em directo pela rádio e pela televisão para todo o país, contou com a presença do primeiro-ministro, Wen Jiabao, que dirigiu uma mensagem aos dois taikonautas que seguiram a bordo.
"Vocês vão mostrar mais uma vez que o povo chinês tem a vontade, a confiança e a capacidade para progredir sem cessar em direcção aos pontos mais altos da ciência", afirmou o primeiro-ministro chinês.
Este lançamento ocorreu quase exactamente dois anos depois da primeira missão espacial tripulada chinesa, coroada de êxito. Na altura, com a missão do coronel Yang Liwei, a 15 de Outubro de 2003, a China tornou-se o terceiro país enviar um homem para o Espaço, 42 anos depois da então URSS e dos Estados Unidos.
A Shenzhou VI era constituída por três partes: um módulo orbital onde foram realizadas experiências científicas e que ficará vários meses no espaço, uma cápsula de reentrada onde os astronautas estiveram a maior parte do tempo, e um módulo com combustível, painéis solares e outros materiais.
Para financiar o orçamento do seu programa espacial, a China National Space Administration garantiu direitos sobre uma parte das receitas publicitárias obtidas aquando da retransmissão em directo do lançamento na cadeia de televisão chinesa. Cada anúncio de cinco segundos foi facturado a 300.000 euros, de acordo com a Associated France Press.
Um “perfeito sucesso”
A China considerou a sua segunda missão tripulada ao Espaço um “perfeito sucesso” que irá melhorar a unidade nacional. No dia do regresso da nave Shenzou VI uma celebração de orgulho nacional varreu o país.
Horas depois da aterragem, o director da “Manned Space Engineering Office”, Tang Xianming, afirmou aos media oficiais chineses que o sucesso da missão veio demonstrar que a China está entre os melhores do mundo nas áreas da ciência e tecnologia.
“Acreditamos que este grande acontecimento irá inspirar uma maior paixão patriótica, orgulho nacional e coesão, estimular ou entusiasmar para a exploração científica”, disse Tang Xianming. De acordo com o director, o governo chinês gastou 110 milhões de dólares com o lançamento.
Alguns responsáveis oficiais consideram que esta missão vai fazer disparar no país o negócio do lançamento de satélites, à medida que aumenta da confiança nos foguetões chineses.
Num futuro próximo, a China espera treinar mulheres astronautas e construir uma estação espacial. No entanto, o primeiro passo será uma caminhada no Espaço em 2007.
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