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Tendência

2009/03/05

Lixo espacial, a quanto obrigas?

A colisão "acidental" de um satélite russo "abandonado" com um satélite comercial de comunicações americano veio alertar para problemas de circulação no Espaço.
Esta primeira colisão de dois satélites em órbita, a 10 de Fevereiro, trouxe à actualidade, por exemplo, o problema da enorme quantidade de lixo espacial que rodeia a Terra e o perigo que estes detritos colocam às futuras missões espaciais e mesmo ao nosso planeta.

Demonstração clara dos riscos do actual cenário orbital, a colisão entre o satélite russo e o satélite comercial de comunicações ainda activo de uma empresa norte-americana criou lixo espacial que poderá circundar o planeta ou ameaçar outros satélites nos próximos 10 mil anos.

Ninguém foi capaz de prever a colisão dos dois satélites, apesar de há muitos anos os cientistas alertarem para a possibilidade de colisões. Os especialistas espaciais juntam agora esforços para evitar incidentes futuros que podem mesmo criar graves implicações geopolíticas.

No início de Fevereiro, o lixo espacial foi tema central do encontro do Comité das Nações Unidas para os Usos Pacíficos do Espaço, onde os diversos especialistas mundiais, reunidos em Viena, discutiram formas de lidar com os resíduos espaciais.

Alguns, em particular os especialistas norte-americanos, sugeriram que fosse iniciada uma limpeza, enquanto outros defenderam que o tempo, a energia e o dinheiro podem ser melhor empregues na minimização da probabilidade de futuras colisões, através de uma melhor partilha de informações entre os diferentes actores espaciais.

Seriamente preocupada com o assunto, a Agência Espacial Europeia (ESA) lançou, em Janeiro, um programa de monitorização para evitar futuras colisões.

O programa “Consciência Situacional do Espaço”, orçado em 64 milhões de dólares, visa aumentar a informação disponível sobre os cerca de 18 mil objectos artificiais que orbitam o planeta, onde se incluem apenas entre 800 e 1.000 satélites activos.

A ESA quer aumentar a quantidade de informações compartilhadas entre as diversas agências espaciais, incluindo a NASA e a Roskosmos e criar um padrão internacional para a descrição, rastreamento e, se necessário, remoção dos resíduos orbitais. Para Março está já agendada uma conferência europeia sobre este tema.

Para a revista britânica “The Economist” a proposta europeia peca por defeito. A publicação propõe a criação de um “sistema internacional de vigilância”, partilhado por todos os operadores espaciais, que defina regras de circulação e de prioridades, como sucede no tráfego rodoviário.

A “The Economist” propõe ainda uma moratória sobre os testes anti-satélite, pois lembra que só a destruição, pela China, do satélite meteorológico Fengyun-1 C, em Fevereiro de 2007, é responsável por um quarto dos detritos registados na órbita baixa do nosso planeta.