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Inimigos dos EUA sem acesso ao espaço

A primeira revisão da Política Nacional Espacial norte-americana dos últimos dez anos, agora assinada por George W. Bush, procura impedir o acesso ao espaço a países considerados inimigos, de modo a salvaguardar os interesses e segurança dos EUA. Também determina que os Estados Unidos se oponham ao desenvolvimento de tratados e de outras restrições que proíbam ou limitem o acesso ou o uso do espaço sideral por parte de Washington.

Embora esta nova política tenha sido assinada por Bush no passado dia 6, só agora veio a lume numa reportagem publicada pelo Washington Post. No entanto, pese o facto de não ter sido anunciada publicamente, partes desclassificadas da decisão foram publicadas na página da Internet da Agência de Políticas Científica e Tecnológica.

"A liberdade de acção no espaço é importante para os Estados Unidos como potência aérea e marítima", refere o documento. "Com o objectivo de proporcionar conhecimento, descoberta e prosperidade económica e de reforçar a segurança nacional, os Estados Unidos precisam dispor de capacidades espaciais robustas, funcionais e eficazes".

A nova política defende que os EUA tenham direito de circulação sem interferência pelo espaço e afirma que Washington considerará qualquer interferência deliberada a essa movimentação como um "desrespeito pelos seus direitos". "Em conformidade com essa política, os Estados Unidos irão: preservar os seus direitos, capacidades e liberdade de acção no espaço; dissuadir ou impedir outros países de interferir nesses direitos ou de desenvolver a capacidade para fazê-lo; adoptar as medidas necessárias para proteger sua capacidade espacial; responder a interferências; e negar, se necessário, que adversários façam uso de capacidades espaciais hostis aos interesses nacionais dos Estados Unidos". Entretanto, a Casa Branca já esclareceu que a nova política em momento algum refere o desenvolvimento ou envio de armas para uso no espaço, por parte dos Estados Unidos . Segundo o governo, os EUA reivindicam apenas o direito à autodefesa e à protecção de seus interesses e bens no espaço.

Frederick Jones, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, defendeu a nova política como uma necessidade política, militar, económica e tecnológica, dado que os desafios e as ameaças aos EUA mudaram ao longo da última década e que a política espacial do país estava desactualizada. Esta legislação “reflecte o facto do espaço se ter tornado uma das principais componentes da economia e da segurança interna e externa do país”, defendeu Jones.