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"O Skylander é a melhor maneira
de Portugal entrar na aeronáutica"



Um duplo turbopropulsor extremamente versátil, multi-tarefas e bem adaptado a uma transferência de tecnologia e de know-how, com um design modular que permite uma partilha de fabrico entre PME’s, a maior parte oriundas da indústria automóvel. Este é o retrato do Skylander, um avião idealizado pelo grupo francês GECI, que vai ser totalmente desenvolvido, certificado, produzido e comercializado em Portugal, o que coloca o país no restrito grupo de países capazes de desenhar, produzir e certificar uma aeronave.
O projecto Skylander de 125 milhões de euros foi reconhecido como PIN em Junho deste ano e atingiu já um estado técnico maduro, pelo que está “pronto a descolar”. O Presidente da GECI, Serge Bitboul, explica o porquê da aposta no nosso país, numa conversa com a “EspacialNews” sobre o futuro primeiro avião português.


Porquê esta aposta em Portugal?

A GECI é uma empresa sedeada e cotada em Paris com uma actividade muito importante em França, no resto da Europa, e, em particular, em vários países asiáticos e também na África de Sul. A França é um país muito interessado pelo sector aeronáutico e já muito sofisticado nesse plano.

O Skylander é um avião muito específico, extremamente competitivo, em termos de preço e capacidade, mas, por já haverem vários projectos aeronáuticos no país, não é prioritário para a França.

Nós escolhemos permanecer na Europa, apesar de haver a possibilidade de irmos para a América ou para a Ásia, e iniciámos em Portugal os primeiros contactos, para termos um conhecimento da capacidade industrial do país. Portugal é um país com uma indústria bastante competitiva no plano dos preços e também de capacidade, mas é o único país europeu sem qualquer indústria aeronáutica, pelo que pensámos que seríamos extremamente bem recebidos em Portugal. Escolhemos Évora e o Alentejo pela sua óptima localização geográfica face a Lisboa que tem um aeroporto internacional. Além disso é uma região com muitos dias com óptimas condições de voo, imprescindíveis para efectuar os ensaios e apresentação do avião.

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Este projecto pode permitir a Portugal entrar no sector aeronáutico, com a criação de um “cluster” no Alentejo…

Se existe em Portugal a ambição de criar uma indústria aeronáutica, o Skylander é um avião que responde perfeitamente a essa vontade. Em primeiro lugar, é um avião simples de conceber, de desenvolver e os meios necessários são simples, com uma industrialização simples. É um avião que permite criar uma base industrial. Por outro lado, apesar da sua simplicidade, é um avião do mais sofisticado e temos os meios e o know-how, para podermos participar em projectos internacionais com a Embraer, a Boeing, a Airbus ou a Dassault. O Skylander é um aparelho perfeitamente adaptado à criação de um “cluster” aeronáutico.
Os benefícios para os decisores portugueses serão imensos. Este é um projecto com um investimento mínimo que permitirá criar toda uma capacidade industrial. Quando falamos do Skylander, falamos de 1.000 postos de trabalho directos e 2.000 indirectos, falamos de exportações para todo o mundo, teremos visitas de delegações internacionais, injecção de tecnologia, know-how e qualificação de mão-de-obra altamente especializada.
Para todos os projectos aeronáuticos é necessário ter as competências de engenharia, as competências de desenvolvimento, de inovação e de concepção. O que a GECI se propõe fazer é trazer para Portugal essas equipas de engenheiros, perto de 40 pessoas, para começar, e a partir dessa base, com a necessária transferência de tecnologia, desenvolver uma indústria aeronáutica. Pretendemos utilizar os recursos industriais e das universidades, neste último caso, em particular, em termos de investigação que possa interessar ao sector da aviação. Tudo isto numa lógica de desenvolvimento de um “cluster” aeronáutico.

Sei que o projecto conta já com a participação de várias empresas portuguesas. Porque esta aposta no tecido industrial português?

Em todos os projectos aeronáuticos temos a necessidade de nos rodearmos de um certo número de parceiros industriais. O objectivo da Sky Aircraft Industries, uma filial portuguesa da GECI Internacional, sedeada em Évora e de capitais portugueses e franceses, é a integração final do avião no mercado, a concepção o desenvolvimento e a certificação, dando ao tecido industrial português a possibilidade de fornecer a sua montagem e peças. Por este motivo, é importante dividir a fabricação entre os subcontratados portugueses que são mais que capazes de realizar esta montagem e de produzir as peças necessárias. A ideia principal é poder usar na aeronáutica as competências já desenvolvidas em Portugal, em sectores como o automóvel, na aeronáutica. Esta é a razão pelo que juntámos um núcleo de empresas que é colectivamente extremamente competitivo. Também escolhemos empresas francesas que são empresas que trabalham desde há quarenta a cinquenta anos com os grandes industriais, como a Airbus ou a Dassault, que vão trazer a sua tecnologia e o seu know-how para Portugal, de modo a podermos assegurar que todas as empresas que participam no projecto Skylander vão estar integradas e capacitadas para actuar no contexto aeronáutico.

Isso representa uma importante injecção tecnológica no sector intermediário Português…

Efectivamente, ao fazermos esta ponte entre as empresas francesas e portuguesas, integramos as tecnologias destas empresas francesas no tecido industrial português, que faz a internalização de tecnologias que de outro modo demoraria décadas a obter. Isto vai permitir aos industriais portugueses não só participar no desenvolvimento deste cluster aeronáutico ao nível do Skylander, mas também a possibilidade de se organizarem para dar resposta a futuras encomendas externas e, assim, potenciar a integração tecnológica trazida com o Skylander.

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Em Portugal, existe uma crítica corrente de que o investimento vai sobretudo para o litoral. A GECI escolheu o interior alentejano, uma região bastante deprimida. Que novas dinâmicas pode trazer o Skylander e o novo “cluster” aeronáutico a esta região?

A iniciativa de criar um “cluster” aeronáutico no Alentejo, possível a partir do projecto Skylander, vai trazer uma enorme dinâmica à região, em particular, vem alterar de sobremaneira o tecido industrial. Vão chegar a Évora empresas que vão desenvolver o Skylander, vamos acolher delegações estrangeiras que vão vir a Portugal de um modo regular, acolher os pilotos que virão formar-se, os mecânicos e os industriais. Será criada uma dinâmica que se vai reforçar com a construção dos aviões, um pólo aeronáutico que, nos próximos trinta a quarenta anos, se desenvolverá em benefício da região. Este “cluster” poderá ser também impulsionador de vários outros sectores industriais conexos, como o tecnológico.Portugal vai beneficiar enormemente deste projecto, pelo que é uma excelente decisão dos decisores portugueses abraçar este projecto. O sucesso do Skylander será o sucesso de Portugal, que se abre a novos investidores e entra, no sector aeronáutico. O Skylander é a melhor maneira de Portugal entrar na aeronáutica.Podemos dizer, que o Alentejo terá a possibilidade de ter um desenvolvimento industrial durável, dado que um projecto aeronáutico como o do Skylander dura 30 anos. Com produção prevista para o período de 2010 a 2040 criamos um potencial de desenvolvimento industrial para os próximos 50 anos, para as duas próximas gerações.

Por tudo isto, hoje, este projecto é estratégico para o futuro do Alentejo e do país, pelo que é uma excelente decisão implementar este projecto em Portugal, ainda para mais, quando não existe ainda indústria aeronáutica no país.

Este projecto de "cluster" aeronáutico não se esgota no Skylander. Considera que pode abrir possibilidades de negócio às empresas portuguesas no mercado internacional, inclusive pelas ligação privilegiadas da GECI em todo o mundo?

De facto, a GECI Internacional, que já existe há 26 anos, trabalha em todo o mundo, na África do Sul, América do Sul, América do Norte, China e, sobretudo, na Europa e tem laços de cooperação com todos os industriais do sector nesses países.

A GECI trabalha também muito com os grandes industriais aeronáuticos europeus. A GECI é um fornecedor estratégico da Airbus, participa em todos os projectos da empresa, e é fornecedor da Dassault e poderá trazer para Portugal projectos concretos. Podemos fazer em Portugal a engenharia, a concepção e o desenvolvimento desses projectos.

Hoje, a GECi instala-se em Portugal, instala o Skylander, e este é também um meio de trazer para trazer para Portugal a cooperação que temos com os industriais desses países.

A GECI tem contactos privilegiados com a Coreia do Sul e poderá também trazer projectos da Itália. Já no contexto da distribuição do Skylander, posso avançar que teremos uma participação activa no mercado interno chinês.

Qual é o mercado do Skylander?

Antes demais quero realçar que o Skylander representa o regresso da tecnologia de turbo propulsor, agora mais evoluída e perfeitamente adaptada e capaz de dar resposta às necessidades dos utilizadores, com a grande vantagem competitiva da redução de 50% no consumo face aos motores convencionais. Este será sem dúvida um factor de enorme peso num enquadramento de preços de combustível muito elevados.

O Skylander dirige-se a um mercado enorme. É um avião de 3,3 toneladas de carga útil, que pode levar 19 a 29 passageiros, de fácil de manutenção e extremamente competitivo. O Skylander tem a ambição de substituir as já muito desactualizadas frotas de aviões do género existentes no mercado mundial. Os números apontam para que 51% dos aparelhos dessas frotas tenham mais de 40 anos e, por isso, são necessários novos aviões. E, portanto, temos aqui um mercado enorme.

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O mercado do Skylander é o transporte de carga, passageiros e a sua versatilidade permite ainda a vigilância aérea e marítima ou o auxilio à ajuda humanitária e ainda uma versão para combate aos fogos. É um avião multi-tarefas, construído para ser muito competitivo ao nível de preço, para servir não só a substituição de frotas, de que falei, mas também dar resposta ao crescimento das frotas previsto para os próximos anos.

Todos os estudos de mercado já realizados demonstram uma necessidade de 4.000 mil aviões, uma situação confortável que poderá permitir ultrapassar largamente o nosso objectivo inicial de 2.000 aviões.

Como vê o interesse dos decisores portugueses neste projecto?

Penso que é uma perspectiva complexa. Por um lado, eles estão fascinados pela criação de um “cluster” aeronáutico, mas, por outro, eles não tem ainda tradição no domínio aeronáutico, o que explica o motivo porque o entusiasmo que tem pela aeronáutica não se traduziu ainda numa decisão racional.

Os benefícios para os decisores portugueses serão imensos. Este é um projecto com um investimento mínimo que permitirá criar toda uma capacidade industrial. Quando falamos do Skylander, falamos de 1.000 postos de trabalho directos e 2.000 indirectos, falamos de exportações para todo o mundo, teremos visitas de delegações internacionais, injecção de tecnologia, know-how e qualificação de mão-de-obra altamente especializada.

Esta é uma oportunidade para a sociedade portuguesa, os decisores e os industriais estabelecerem contactos com governos e indústrias em todo o mundo e o ponto de partida para um novo canal de comércio corrente entre Portugal e o mundo.

Portugal vai beneficiar enormemente deste projecto, pelo que é uma excelente decisão dos decisores portugueses abraçar este projecto. O sucesso do Skylander será o sucesso de Portugal, que se abre a novos investidores e entra, no sector aeronáutico. O Skylander é a melhor maneira de Portugal entrar na aeronáutica.

Galeria de Imagens

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Skylander em 3D

Imagens e 3D retiradas de:

http://www.skylander-aircraft.net
http://www.geci.net