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Tendência

2010/07/21

Obama abre a porta a controlo de armas espaciais

A nova política espacial da administração Obama, apresentada no final de Junho, coloca o enfoque na cooperação internacional e inclui também a hipótese de um tratado para limitar o desenvolvimento de armas espaciais.
Ao contrário da postura unilateral do governo de George W. Bush, em relação ao Espaço, o actual presidente norte-americano quer mais colaboração com os privados e também com outras agências espaciais no futuro da conquista espacial dos Estados Unidos.

Consagrada na nova política espacial está a vontade de Washington “considerar propostas para medidas de controlo de armas se forem equitativas, verificáveis e reforçarem a segurança nacional dos Estados Unidos e seus aliados”, em clara ruptura com a doutrina da administração Bush, que, em 2006, rejeitava “qualquer limitação no direito fundamental dos Estados Unidos em operar e obter dados sobre o Espaço”.

A política de Obama põe em foco a necessidade de cooperação internacional. “É do interesse comum de todas as nações agir com responsabilidade no Espaço para ajudar a evitar acidentes, mal-entendidos e desconfiança”, referem as linhas de abertura da nova política.

Uma eventual corrida ao armamento espacial, por parte, sobretudo, dos EUA, da Rússia e da China, tem há muito preocupado a comunidade internacional. Estes dois últimos países já mostraram disponibilidade para assinar um tratado global de controlo de armas espaciais, mas a ameaça de ataques a satélites tem sido a principal razão invocada nos EUA para justificar o possível papel das armas espaciais na protecção do país, em particular durante a administração Bush.

Agora, a Casa Branca mostra abertura na pacificação do Espaço, mas com ressalvas que incluem a proibição de sistemas anti-satélite sedeados em terra, tecnologia defendida, entre outros países, pela China. Ou seja, o controlo das armas no Espaço só será possível, na perspectiva norte-americana, se estiver garantida a integridade (e supremacia) dos seus equipamentos espaciais, logo, a segurança do próprio país. Caso contrário, nem a perspectiva mais tolerante a entendimentos de Obama aceitará um acordo global.


André Gonçalves Nunes