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Tendência2010/11/24
Espaço decisivo no antimíssil da NATOA Cimeira de Lisboa da NATO marca o início da cooperação entre a Aliança Atlântica e a Rússia na implementação do escudo antimíssil, um sistema de defesa comum que terá no Espaço um elemento decisivo à sua implementação e funcionamento, embora numa versão mais moderada da “Guerra das Estrelas”, idealizada por Reagan e retomada por George W. Bush.
Os países da NATO e a Rússia concordaram fazer “uma avaliação conjunta da ameaça representada pelos mísseis balísticos”, refere o comunicado divulgado após a reunião entre o presidente russo, Dmitri Medvedev, e os seus 28 homólogos da NATO. Esse trabalho de análise conjunta de um futuro quadro de cooperação em matéria de defesa antimísseis deverá ser concluído antes de Junho de 2011.
O escudo agora aprovado inclui mísseis interceptores dos EUA e radares instalados na Europa em quatro etapas, em primeiro lugar a bordo de navios e também em terra, nos próximos dez anos, para lidar com ameaças actuais, com as comunicações a recorrerem a satélites colocados em órbita, decisivos também na detecção de mísseis (recorrendo ainda a radares em Terra) e transmissão de comandos para as diferentes bases. Ou seja, tudo passará pelo Espaço, fundamental nesta estratégia global que assume como principal ameaça o Irão, à cabeça de outros países que se estão a dotar de mísseis balísticos e podem representar uma ameaça.
O novo escudo antimíssil, que irá conjugar as capacidades do dois únicos sistemas do género actualmente operacionais, o norte-americano e o russo, não reserva ao Espaço, no entanto, o mesmo papel de relevo idealizado por Ronald Reagan na Iniciativa Estratégica de Defesa, um programa militar norte-americano para construir um sistema de defesa capaz de impedir um ataque nuclear, também conhecido como “guerra das estrelas”.
O projecto ambicioso de Reagan foi lançado oficialmente em 1983 e consistia num conjunto de sistemas de radares de longo alcance instalados em terra, combinados com sistemas de mísseis anti-balísticos e uma rede de satélites artificiais, com sistemas de localização e rastreamento, além da colocação no Espaço de armas laser e armas cinéticas, capazes de destruir mísseis balísticos no auge de sua trajectória, quando estão no Espaço.
Reagan propunha um “escudo espacial”, munido de armamentos capazes de interceptar, a partir do Espaço, quaisquer mísseis balísticos lançados contra os Estados Unidos.
A ideia, na altura tida como mera ficção-científica, foi retomada por George W. Bush, sob o nome de “escudo anti-mísseis”, que se passou a centrar em sistemas de defesa anti-mísseis balísticos localizados em terra e não no Espaço, um sistema que na Era Bush era visto como uma resposta à ameaça russa, agora parceira no novo sistema a criar pela NATO e com base no sistema dos EUA.
Embora sem o mesmo papel ofensivo, a verdade é que sem Espaço não haveria escudo antimíssil e fica em aberto a possibilidade de, no futuro, caber também a equipamentos colocados em órbita um papel ofensivo, pois recorde-se que Obama insistiu na ideia de que este sistema é uma resposta às ameaças actuais, sem nada adiantar sobre a evolução mesmo para responder a novas ameaças... E já há muito começou a corrida ao armamento espacial.
André Gonçalves Nunes
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