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"Skylander merece admiração"
Avaliar o ambiente de dinamismo em torno da criação de um cluster aeronáutico, em Portugal, promovida pela GECI, e a possibilidade de nele participar com o seu novo projecto de jacto executivo, foi o que trouxe a Portugal o presidente da italiana Piaggio Aero, uma das empresas líderes no sector aeroespacial europeu e a única no mundo com actividade no design, desenvolvimento, construção e manutenção de aviões, motores e componentes estruturais para aeronaves. Josè di Mase considera que "o programa Skylander merece admiração por querer fazer em Portugal uma indústria de fabrico de aviões" e recorda que "não são muitos os países que podem dizer que o fazem". Ideias defendidas numa entrevista exclusiva à Espacialnews.
Cinco programas aeronáuticos europeus
Cinco programas aeronáuticos estão actualmente em curso na Europa: Skylander (Portugal), Airbus A350 (França), Piaggio, com um novo jacto executivo (Itália), Falcon 7X da Dassault (França) e Grob Ranger da Grob Aerospace (Alemanha). O Airbus A350 é um avião de passageiros de grande porte, a nova aeronave da Piaggio será um jacto executivo, o Skylander é um avião de nicho extremamente versátil e multi-funções, o Falcon 7X da Dassault é um jacto de grande cabine, e o "spn" é o novo jacto executivo da Grob Ranger.
Quando será apresentado o novo projecto aeronáutico da Piaggio Aero?
Nós estamos a planear anunciar em meados do próximo ano, entre Maio e Junho, aquele que será o nosso próximo projecto. Estamos a pensar num jacto maior que o P-180, o avião que fornecemos actualmente, com um design muito atraente e um óptimo desempenho.
Como é que o estado italiano favorece o desenvolvimento da indústria aeronáutica?
O sector aeronáutico foi declarado um sector estratégico em Itália. Assim, há alguns incentivos, em termos de apoio financeiro, e empréstimos especiais dedicados a todas as actividades relacionadas com o programa aeroespacial. Existe também uma lei especial dedicada exclusivamente ao sector aeronáutico.
Este é o modo como a Itália se tornou hoje num actor principal na aeronáutica em todo o mundo. O grupo Finmecanica é o segundo maior grupo aeronáutico da Europa, atrás da EADS/Airbus. Temos também a Agusta, o maior fabricante de helicópteros a nível mundial, e, claro, há ainda a Piaggio, um recém-chegado. A Piaggio está em jogo há poucos anos, mas temos um produto muito bem sucedido. Este contexto resulta da política específica criada pelo governo em Itália, que quer ter um papel neste sector estratégico.
Quais as razões da sua visita a Portugal?
À parte o bom tempo e as pessoas agradáveis que tivemos oportunidade de encontrar… a nossa razão principal é encontrar um sócio potencial para o nosso novo produto. Estamos cientes do que é o programa Skylander e da iniciativa, do suporte e do entusiasmo do sector privado e do sector público para tentar desenvolver esta indústria na Europa. Nós pensamos que existe um forte espírito de comunidade na Europa e o desejo de competir com outras potências. Por isso, viemos a Portugal, para avaliar os potenciais sócios para o novo avião que vamos lançar em 2007.
O que pode a GECI trazer ao seu projecto?
A GECI é uma empresa com muita experiência na engenharia e tem a capacidade técnica e o know-how, além de uma vasta experiência global na gestão de programas internacionais. Como mencionei antes, o programa Skylander merece a admiração por querer fazer em Portugal uma indústria de fabrico de aviões - recordo que conceber, desenvolver e construir um avião é muito diferente de apenas fazer a sua manutenção e não são muitos os países que podem dizer que o fazem. Este é o desafio que Portugal enfrenta agora. O facto de terem aceite este desafio é muito indicativo de que existe uma decisão e de que isto pode ser feito. É por tudo isto que aqui estamos, para avaliar este ambiente e ver a possibilidade de o cluster aeronáutico a criar em Portugal participar no nosso programa.
Qual a sua opinião sobre o Skylander?
O Skylander é um produto muito interessante. Eu penso que responde a uma necessidade particular - é um avião de nicho. A maioria [dos fabricantes] pensa em fazer o avião mais rápido, o avião mais atraente e às vezes esquecem-se as verdadeiras necessidades práticas do mercado. Eu penso que o Skylander tem muitas utilizações práticas, é muito versátil, e vai gerar grandes surpresas quando entrar no mercado.
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