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Tendência

2007/10/04

50 anos de Era espacial, novas perspectivas

50 anos da exploração do Espaço completam-se hoje, dia 4 de Outubro. A 4 de Outubro de 1957, o satélite russo Sputnik colocou o Homem no Espaço. Deste então, assistiu-se a uma corrida, especialmente participada pelos norte-americanos e pelos russos, que teve por expoente máximo a chegada do Homem à Lua, pela última vez faz já 35 anos.
50 anos da exploração do Espaço completam-se hoje, dia 4 de Outubro. A 4 de Outubro de 1957, o satélite russo Sputnik colocou o Homem no Espaço. Deste então, assistiu-se a uma corrida, especialmente participada pelos norte-americanos e pelos russos, que teve por expoente máximo a chegada do Homem à Lua, pela última vez faz já 35 anos.

Como recorda o jornalista do New York Times, Dennis Overbye, há 35 anos que ninguém mais longe do que 500 km de distância da Terra, confinados que estão os astronautas, cosmonautas e taikonautas a visitas à Estação Espacial Internacional. Mas será este um sinal de abrandamento na corrida espacial ou, antes, o anuncio de uma mudança de rumo e de intenções quanto ao Espaço?

Bush anunciou recentemente planos para nova ida à Lua, embora as suas estimativas apontem para 2020, e também outros já manifestaram interesse em colonizar o satélite natural da Terra e também Marte. No entanto, duas novas tendências pode vir a alterar, em definitivo, os pressupostos da corrida espacial.

Em primeiro lugar, embora ainda gozem de uma supremacia evidente, os EUA e a Rússia já não são, há alguns anos, os únicos players da Era espacial. A Europa tem-se afirmado, mas a Ásia, em particular a China, a Índia e no Japão, é já vista por muitos como a nova grande potência do Espaço.

Em segundo lugar, se de início o Espaço era sobretudo entendido numa perspectiva científica, política e, também, militar, hoje, além destas três componentes (com uma acentuada importância da terceira, embora não assumida), começa a reforçar-se o peso da componente económica, o que abre espaço à iniciativa privada, com empresas e segmentos económicos a trabalhar para a indústria espacial.

Esta nova tendência pode ser um passo decisivo para acelerar o ritmo futuro da exploração espacial, dado que - embora os enormes progressos científicos e tecnológicos tenham permitido desvendar cada vez mais segredos do Universo e a intensiva utilização do Espaço, nomeadamente com recurso a satélites, venham dar resposta a necessidades terrestres - muitos acreditam, não fossem outros superiores interesses (como os conflitos armados), que se poderia ter ido já mais longe.
No entanto, a abertura da corrida a novos competidores e a perspectiva de ganhos económicos prometem reanimar a exploração do Espaço e devolver à Humanidade o sonho partilhado por aqueles que estiveram nos primórdios da Era espacial.

Portugal entrou com uma empresa na corrida espacial, há 10 anos, com a pioneira e líder do sector espacial em Portugal, a Edisoft. Na altura, a União Europeia Ocidental - a UEO - quis estabelecer um centro de análise de imagens de satélite, em Espanha. Os americanos haviam saído de Torrejon e era preciso aproveitar aquela base. A União Europeia Ocidental propunha-se instalar lá o seu centro de análise de imagens e, portanto, foi aberto um concurso internacional. A Edisoft ganhou, através de um consórcio, de que era líder, o concurso e ficou com a responsabilidade da gestão do projecto de instalação, na área do hardware e do software.

Hoje Portugal conta já com um interessante conjunto de empresas ligadas à industria espacial, uma boa base não só para atacar certos nichos da industria espacial, como também para assumir a responsabilidade por grandes projectos, como é disso exemplo a Edisoft, com o [INT 210.614.0.0.1.0.phtml]Ocean Eye[/EXT].

Fundamental é que haja um entendimento daquele que é hoje o papel do Espaço, em particular, da sua relevância económica. Como referia Sérgio Parreira de Campos, presidente da Edisoft, numa entrevista à Espacialnews o Espaço é hoje “o papel de embrulho” que envolve todas as actividades terrestres, tudo passa pelo Espaço, em particular, pelos satélites. E Portugal não pode perder a oportunidade que o novo contexto lhe abre para participar de um modo mais activo na corrida espacial e na indústria espacial.

Sobre os 50 anos já passados, melhor do que sermos nós a contar a história, é podermos ouvir o relato dessa experiência por alguém que a observou de perto, embora sem nunca ter ido ao Espaço.

Reginald Turnill, 92 anos, correspondente da BBC para o aeroespacial entre 1957 e 1972, trabalhou em Moscovo, Cabo Canaveral e Houston, acompanhou desde o primeiro dia a corrida espacial e relata agora essa experiência ao site da BBC, num registo áudio acompanhado por fotografias.
Dossier especial no L’Express
O L’Express, no seu site, apresenta um vasto dossier sobre os 50 anos de exploração espacial, com uma reportagem fotográfica onde mostra os melhores momentos históricos e um conjunto de artigos que, entre outras curiosidades, salientam o facto de a conquista espacial ter começado na Alemanha, com Wernher von Braun. O futuro da exploração espacial passa inevitavelmente pela Ásia, com China, Índia e Japão não só a puderem assumir uma posição de relevo, como, mesmo, uma posição de liderança. A "ameaça" asiática "ameaça" asiática à supremacia norte-americana e o renascer da potência russa no Espaço podem marcar os próximos passos da exploração espacial, a par da crescente importância da componente económica, com a indústria espacial a assumir o seu papel como motor de desenvolvimento tecnológico e económico dos países e como uma etapa decisiva para a afirmação estratégica das potências.