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Política Europeia do Espaço

Portugal vai investir 32 milhões de euros em programas da Agência Espacial Europeia (ESA), nos próximos cinco anos, sendo esperado o retorno desta verba em encomendas à indústria portuguesa.
“Teremos uma participação forte no ARTES, o programa de telecomunicações da ESA, e uma participação significativa em dois programas de observação da Terra, muito importantes para nós, por causa dos incêndios e dos oceanos”, segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Mariano Gago.
Da parte da indústria espacial portuguesa, o Director-geral da Edisoft, Engº António Rodrigues de Sousa, vê esta aposta no espaço como um momento único e considera que estamos perante "uma alteração do paradigma de utilização do espaço por parte dos países europeus. Esta mudança cria oportunidades para empresas de países como Portugal onde, apesar de não existirem recursos nem humanos nem financeiros para fazer as coisas autonomamente, se pode arranjar um lugar em todo este edifício que está a ser construído".
"As empresas portuguesas ligadas à indústria espacial têm de encontrar áreas de nichos, de especialização, e entrar nesse mercado com o fim de serem líderes. Este desafio pode ser contudo uma oportunidade, um instrumento, de mudança da imagem do país no exterior", explica o responsável da empresa portuguesa lider de software para especialistas.
Mariano Gago refere que Portugal vai participar no programa de apoio da ESA, o GSTP (General Technologic Program Support), no programa AURORA de exploração do sistema solar e no Exomars, missão para detectar vida nos planetas vizinhos da Terra, com arranque previsto para 2011.
O ministro destaca a importância de após a adesão de Portugal à ESA, em 2000, terem surgido no País diversas empresas de base tecnológica, altamente especializadas e qualificadas.
Prioridades do futuro espacial europeu. Os grandes eixos do programa espacial europeu até 2010 já foram definidos pelos 17 estados-membros da ESA. O programa será dotado de um orçamento total de 8,8 mil milhões de euros, cerca de metade do orçamento da NASA para 2006. Os membros da ESA acordaram ainda um aumento anual, até 2010, de 2,5% do orçamento consagrado à investigação científica.
O novo plano da ESA define as prioridades espaciais para os próximos cinco anos. Uma das iniciativas a que os ministros dão luz verde é a de uma nova missão robótica em Marte, denominada "ExoMars", para explorar a superfície do planeta através da utilização de um robô móvel.
Os ministros acordaram ainda a "preferência europeia" pelos lançadores da ESA (como o Ariane-5 e o Vega ou os russos Souiz), desde que estes sejam lançados a partir do centro espacial da ESA em Kourou, na Guiana Francesa, e manifestaram igualmente o acordo em manter o financiamento da Estação Espacial Internacional (ISS) até um limite de 650 milhões de euros até 2008.
Reconstruir o satélite de observação dos gelos dos pólos Cryosat, destruido aquando do seu lançamento em Outubro passado, foi outra proposta aceite pelos ministros dos 17, num investimento de 1,3 mil milhões de euros. Em contrapartida, não mostraram muito entusiasmo sobre a participação no projecto russo Clipper, uma nave reutilizável que deverá a prazo substituir o Soyouz.
Robô Europeu em Marte. Fazer aterrar um robô móvel na superfície de Marte em 2011 é um dos novos objectivos definidos pela Agência Espacial Europeia (ESA). Denominada "ExoMars", esta missão irá explorar a superfície do planeta através da utilização de um robô móvel com objectivo de "recolher amostras", especificou Franco Bonacina, porta-voz da organização.
A ESA quer assim investigar "sinais de vida passada e presente na superfície marciana, determinar em vários pontos de Marte a composição geoquímica e a distribuição da água, melhorar os conhecimentos sobre meio ambiente e geofísica, e, antes de aterrar, identificar possíveis ameaças", acrescentou Bonacina.
Esta missão prevê colocar em Marte um veículo com rodas, de 240 quilos, para investigar a eventual existência de vida a dois metros de profundidade, debaixo da superfície marciana.
Contudo, as amostras da superfície de Marte não serão trazidas para Terra para análises detalhadas, porque este é um tipo de missão demasiado complexo para ser realizado por um só país ou por uma só agência espacial, explica a ESA.
A Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) planeia uma missão deste tipo em 2016.
Cliper continua sem ESA. Apesar da recusa da ESA em apoiar o projecto, a Rússia vai continuar a desenvolver a sua nave espacial Clipper, afirmou o porta-voz da agência espacial russa, Viatcheslav Davidenko. "Vamos continuar a desenvolver este projecto mesmo que demore mais tempo", garantiu.
"O projecto Clipper começou como um projecto russo, mas sempre defendemos a ideia de uma cooperação internacional para construir este vaivém. Ainda não perdemos a esperança de uma participação da ESA", salientou Davidenko.
O futuro vaivém destina-se a substituir os voos tripulados Soyouz, que garantem o abastecimento das tripulações russo-americanas da ISS. O seu primeiro voo está previsto para 2012.
O Clipper tem a particularidade de ser reutilizável e de poder transportar seis pessoas. O Soyouz apenas leva três pessoas e não é reutilizável. Duas vezes maior que o Soyouz, com um peso de 14,5 toneladas, este vaivém de nova geração poderá levar até à ISS cargas até 700 quilos. Poderá ficar acoplado à estação durante um ano e servir assim de nave de salvamento para a tripulação da ISS. A duração da exploração de um Soyouz está limitada aos seis meses.