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Tendência2007/11/06
Ásia na rota do Espaço
Bem cedo, no Correio da Manhã: “a agência espacial japonesa (JAXA) anunciou a chegada com sucesso da sua primeira sonda lunar, a Kaguya, à orbita do satélite natural da Terra” e “quer ver astronautas nipónicos na Lua em 2020”; há hora de almoço, também a China, diz-nos a CNN, ligada no canal 48, com um satélite, colocou, no início desta semana, um pé na órbita da Lua, a pensar noutros altos voos; e ainda, já ao final da tarde, a Índia, de acordo com o site da Reuters, divulgou recentemente os planos para uma missão não tripulada à Lua, em Abril de 2008, e outra tripulada à orbita terrestre, em 2015.
Graças, sobretudo, ao empenho asiático, o Espaço chega-nos no jornal da manhã, no noticiário da hora de almoço ou nas notícias recolhidas no computador, ao final da tarde; um empenho que contrasta com um aparente entorpecimento – sublinhe-se a relatividade deste entorpecimento – das aspirações norte-americanas e russas (salvo o caso particular das missões à Estação Espacial Internacional), os grandes dominadores da conquista espacial do último meio-século.
No campo mediático, onde todas as aspirações se jogam, mas também na prática, a Ásia tem estado verdadeiramente activa no campo espacial e joga já, pelo menos na ambição, embora tecnicamente a estória seja um pouco diferente, de igual para igual com as duas grandes potências espaciais, com a Europa à espreita e a fazer o seu caminho, não menos ambicioso, mas mais cauteloso.
Bush quer ver astronautas dos EUA na Lua até 2020, mas os chineses esforçam-se por superar os norte-americanos nesta corrida e até Michael Griffin, o patrão da Nasa, acredita na vitória de Pequim, ao mesmo tempo que apela ao financiamento estatal para que possa contrariar as suas próprias previsões e, assim, anular a história futura que tão bem desenhou.
A sonda lunar Chang’e 1 um “marca o primeiro passo na exploração do espaço mais profundo", de acordo com as autoridades chinesas, e esta “change” (mudança) na forma como a China e também a Índia olham o Espaço pode vir a alterar o jogo de forças além da termoesfera.
O Espaço, a última fronteira, é um campo de afirmação tecnológica, militar, económica e também política – ficando a hierarquização de cada uma destas afirmações ao critério dos que se pretendem afirmar.
Um caso evidente, embora caricato, de afirmação política no espaço é a declarada intenção de taikonautas chineses em criar uma célula do Partido Comunista Chinês no Espaço, em pleno funcionamento, quando Pequim tiver uma estação espacial instalada.
Façamos os exercício de imaginar sedes do partido Republicano ou Democrata a meio caminho de Marte ou do Rússia Unida a um terço do caminho da Lua – para não irmos mais longe e enviarmos para Vénus o palácio do imperador Japonês – para entendermos, por um lado, o caricato, e por outro, nas entrelinhas, uma intenção de colonização do Espaço por alguns países, de um modo independente. Mas será que cada país não tem direito ao seu espaço no Espaço?
Os países asiáticos perceberam já as limitações da economia global – com a actuais taxas de crescimento a darem alguns sinais de esgotamento – e vêem no espaço uma oportunidade de expandir o seu negócio e a sua influência geopolítica.
As potenciais asiáticas parecem ter já encontrado a sua rota espacial e se o sedativo corte orçamental que tem afectado a Nasa, a pouco declarada ambição russa, ou, mesmo, a crescente política espacial europeia não reagirem, a última fronteira poderá (embora tecnologicamente os países asiáticos estejam alguns anos-luz atrás dos EUA) ser dominada pela Ásia, sem que com isto façamos qualquer juízo quanto às virtudes/males desta potencial supremacia.
Depois do fascínio da década de 50 e 60, é aparente um renovado interesse no Espaço, com novos players e uma maior capacidade de investimento tecnológico para dar respostas às ambições humanas neste domínio. Resta-nos esperar para ver onde os leva a nova rota espacial asiática e que caminhos traçam os Estados Unidos a Rússia e a Europa, nos próximos anos.
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