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Tendência2008/04/08
Indústria europeia deslocaliza para zona dólarAs grandes indústrias europeias estão a “fugir” da zona euro, sobretudo para a zona dólar, para contrariar os efeitos negativos da apreciação da moeda europeia e aproveitar a oportunidade da desvalorização da moeda norte-americana, uma decisão que, em breve, deverá influenciar o emprego na Europa, segundo vários analistas.
As grandes indústrias europeias estão a “fugir” da zona euro, sobretudo para a zona dólar, para contrariar os efeitos negativos da apreciação da moeda europeia e aproveitar a oportunidade da desvalorização da moeda norte-americana, uma decisão que, em breve, deverá influenciar o emprego na Europa, segundo vários analistas.
Certos grupos empresariais já não hesitam em apostar na deslocalização das suas instalações para os Estados Unidos ou para países onde a moeda tenha uma cotação mais fraca, com a manutenção da competitividade das empresas que fazem uma exportação constante para os Estados Unidos a tornar-se "muito complicada", como testemunhava recentemente Balbino Prieto, responsável por um grupo de empresas espanholas exportadoras. "Esta já é uma situação limite para as PME, em que já não é possível reduzir mais as margens de lucro", dizia o responsável, em declarações à imprensa.
Na indústria aeronáutica, onde a comercialização das aeronaves é feita em dólares, algumas empresas europeias já deram os primeiros passos para retirar parte da produção dos países de origem, onde pagam ordenados e comparam matérias-primas e serviços em euros.
A francesa Latecoère, por exemplo, investiu 100 milhões de euros para criar um parque de aeronáutica no continente africano. Também a francesa Dassault Aviation tem demonstrado algum interesse neste tipo de investimento em países de moeda mais fraca, com o presidente do grupo, Charles Edelstenne, a concordar com a afirmação de Louis Gallois, o presidente-executivo da EADS, de que a instalação nas zonas dólar é hoje "a única solução" para combater as perdas na conversão das moedas.
A deslocalização está já a preocupar a Confederação Europeia de Sindicatos que alertou o Banco Central Europeu (BCE) para a necessidade reagir à alta do euro e a começar a diminuir as suas taxas de juro, para que o emprego na Europa não sofra. No entanto, o BCE permanece insensível aos argumentos pró-euro fraco, o que mina a competitividade de empresas que negoceiam na zona dólar.
A desvalorização do dólar está a permitir que as companhias aéreas europeias comprem agora aviões mais baratos aos Estados Unidos, mas não deveria a coesão tão propalada na UE, sem alimentar correntes proteccionistas, gerar as condições para que a melhor resposta da indústria aeronáutica europeia e das outras indústrias não seja a de fazer as malas e embarcar para outros países?
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