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Informação é Guerra ou a importância da Inteligência EconómicaHoje, na era da globalização, da economia do capital intelectual e da Internet, a guerra pelas armas só faz sentido para integristas e extremistas, movidos por crispações identitárias ou pela fé. De um modo mais evidente que nunca, a guerra faz-se sobretudo pela informação, ou melhor, a informação é a guerra.
O actual espírito dominante é o de optimismo face a às novas tecnologias de informação e comunicação, com uma avassaladora exaltação da comunicação e dos seus instrumentos.
A violência a que hoje assistimos, através, precisamente, das novas tecnologias de informação e comunicação, faz parte de uma outra era, é uma manifestação de tempos “arcaicos”.
O espírito optimista face às novas tecnologias da informação, concede, no entanto, que estas se podem prestar a maus usos. Vírus, cyberpiratas, fraudes são meros sinais de uma crise de crescimento da Internet. Por outro lado, os pessimistas, repetem um murmúrio sobre alienação, desigualdades e catástrofe.
Perceber que a guerra é informação é o primeiro passo para que as organizações, em particular para as empresas, se posicionem na nova realidade. A “Grande Guerra” de hoje é sobretudo - e em exclusivo económica.
Informação estratégica nas empresasInúmeras organizações, sobretudo empresas, consagram imenso tempo e dinheiro para adquirir e gerir informação "estratégica".
Isto traz à luz o conceito de “veille stratégique” (vigília estratégica), um componente da inteligência económica e da inteligência estratégica, proposto por Humbert Lesca, pelo qual a empresa monitoriza diversos agentes, como a concorrência, clientes, fornecedores, sociedade, governo, etc., em busca de ameaças ou oportunidades.
Este conceito de Lesca tem como base os conceitos de weak signals (sinais fracos) de Igor Ansof, autor que propõe que a empresa esteja à escuta do ambiente competitivo a fim de antecipar oportunidades e ameaças.
No fundo a “vigília estratégica” é o ponto de partida para a Inteligência estratégica, consiste em estar atento à informação para detectar os "perigos e oportunidades" do seu ambiente.
No vocabulário da inteligência económica, “vigília estratégica” representa a principal actividade no processo de inteligência estratégica, muitas vez combinado com a protecção do património informativo próprio da empresa e a modificação do ambiente pela influência.
Mas, a “vigília estratégica” não se resume a isto. Inspira decisões importantes e a condução geral da acção orientada para um objectivo e é fundamental que as empresas percebam, que tipo informações podem ter esta importância.
Numa analogia com os conceitos militares, podemos sugerir que as informações estratégicas permitem fazer ganhar tempo, reduzir a incerteza face o ambiente, detêm ou relacionam-se com situações de carácter excepcional ou surpreendente, estão enquadradas na estratégia da empresa, configuram ameaças ou oportunidades para o projecto empresarial… Em suma, permitem iluminar a realidade para iluminar a decisão.
Ainda que o valor da informação estratégica seja sobretudo de decisão, isso não a torna sempre grave e urgente. Pelo contrário, a “vigília estratégica” permite e deve também servir para detectar sinais fracos, que com o passar do tempo se tornam não só mais numerosos como mais visíveis.
Depois dos acontecimentos, após a surpresa estratégica, parece que o sinal fraco, em retrospectiva, cega. Se antes estava submerso sem que dele déssemos conta, agora surpreendendo-nos. Depois do 11 de Setembro, do crash da bolsa ou da queda da ponte de Entre-os-Rios, questionamos: “Como pudemos não ver? Como deixámos escapar os sinais, outrora tão fracos, mas que agora nos surgem tão claros…
Inteligência estratégica, precisa-se… para sobreviver nesta guerra de informação que hoje não é mais global, mas antes universal, porque passa muito pelo Espaço, em particular pelos satélites… |