Carlos César, presidente do Governo dos Açores afirma estar convicto de que Portugal só aceitará novas funcionalidades para a Base das Lajes, propostas pelos EUA, se estas estiverem de acordo com os interesses açorianos.
“Certamente Portugal não aceitará nada que não seja em estreita ligação e concordância do Governo regional dos Açores”, afirmou o responsável.
Severiano Teixeira nega negociações sobre Lajes
Nuno Severiano Teixeira, ministro da Defesa Nacional, tem negado a existência de negociações entre o Governo português e os EUA para a criação de um campo de treino de aviões militares norte-americanos na base das Lajes, nos Açores.
"Como o chefe do Estado-Maior da Força Aérea já disse, essas seriam conversações que se teriam que ter não no plano técnico mas no plano político. E no plano político, eu perguntei ao meu colega dos Negócios Estrangeiros e aquilo que posso dizer é que não decorre no quadro do Governo português nenhuma negociação", afirmou o ministro.
Severiano Teixeira confirmou a existência de "contactos informais" entre os responsáveis da força aérea norte-americana e o chefe do Estado-maior da Força Aérea portuguesa, durante os quais "as autoridades norte-americanas expressaram essa pretensão".
Norte-americanos querem testar mísseis nas Lajes
A Força Aérea norte-americana (United States Air Force, USAF) já tinha manifestado o interesse, em Novembro passado, de aumentar a capacidade de utilização da Base militar das Lajes, uma vez que é considerada “muito apelativa” para treinos militares.
O comandante na Europa da USAF, William Hobbins, diz ter falado sobre o assunto, com o Chefe de Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, Luís Araújo. Mas o general português afirmou já que “não existem negociações oficiais em curso”.
Autarca açoriano vê como "positiva" eventual criação de campo de treino
Roberto Monteiro, presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, entende como "positiva" a eventual utilização da base das Lajes como apoio a um campo de treino para aviões militares norte-americanos.
Monteiro frisou que a base das Lajes precisa de "reassumir a sua importância no contexto da redefinição estratégica norte-americana", se esta for a forma "de manter um contingente militar significativo e os postos de trabalho dos portugueses".
"Actualmente as pequenas e médias empresas do concelho conseguem contratos com o comando norte-americano que devem rondar os 12,5 milhões de euros, mas há cinco anos atrás esse valor foi o dobro", referiu o autarca, sublinhando ainda que "quanto maior for a importância da Base das Lajes, maior é o número de serviços que são contratados localmente".

