Os EUA atingiram no passado dia 21, com sucesso, um velho satélite espião à deriva no espaço, para evitar, segundo o governo, que o mesmo caísse na Terra com um tanque cheio de combustível altamente tóxico. "Aproximadamente às 10h26 (hora local), o 'USS Lake Erie', um navio de guerra da classe Aegis, disparou um míssil táctico 3 que atingiu o satélite", informou o Pentágono em comunicado.
O governo norte-americano indicou ainda que o míssil impediu a queda do satélite espião para “proteger a população terrestre”, já que a hidrazina, contida num dos tanques do satélite, ataca o sistema nervoso central e pode ser mortal.
Alguns países, como Rússia e China, manifestaram, porém, a sua preocupação com esta operação, entendida como um teste antí-míssíl por ambos os países.
Washington negou estar a esconder segredos tecnológicos ou que tenha promovido uma demonstração de poder, rejeitando qualquer analogia com a China, que usou mísseis para destruir um velho satélite meteorológico, em Janeiro de 2007.
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, a missão chinesa "foi especificamente planeada como um teste contra o satélite, (para provar) a capacidade de destruição", ao passo que a missão norte-americana visou "proteger a população na Terra".
Fontes militares referem que o satélite, conhecido como "L-21", foi posto em órbita a partir da base Vandenberg da Força Aérea norte-americana, em 2006.
França preparou eventual queda
A França estava preparada para a eventualidade do satélite espião norte-americano cair em território francês. Segundo as informações anteriores, dadas pelo Pentágono às autoridades francesas, o perímetro onde o satélite poderia cair ia do paralelo 45 sul ao paralelo 45 norte, uma zona muito vasta, o que levou uma equipa de especialistas, reunidos pelo Sécrétariat Général de la Défense Nationale francês, a estudar todas as possibilidades.
EUA partilham dados com China
O Secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, anunciou entretanto a intenção de partilhar com a China informação relevante sobre o abate do satélite. "Estamos preparados para partilhar qualquer dado apropriado”, disse o responsável norte-americano em resposta aos comentários do porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Chinês, Liu Jianchao, que avisara que “a China está a acompanhar de perto os eventuais danos para a segurança no Espaço e de países relevantes provocados pelos EUA”.
Stratfor aponta outras motivações para abate
Os analistas militares da Stratfor, mais conhecida por “the shadow-CIA”, apesar da justificação apresentada pelas autoridades norte-americanas, consideram que este teste bem sucedido da utilização de um míssil balístico para abater um satélite pode ter servido como uma “oportunidade de ouro” para dar uma resposta directa ao teste chinês de Janeiro de 2007. Por outro lado, num ponto de vista mais técnico, serviu também como uma prova cabal pública da capacidade ofensiva dos sistemas defensivos norte-americanos, uma realidade que tem permanecido, de certo modo, oculta para a generalidade do público.
A utilização do mais bem sucedido míssil interceptor (o SM3) do inventário de defesa norte-americano, dá o sinal de que um míssil desenhado para abater projécteis inimigos pode também servir para abater satélites no Espaço. Ou seja, uma tecnologia que foi “justificada e financiada para fins defensivos pode ter um uso ofensivo”.
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