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Decisores

2008/03/19

Granadeiro: PT só investe em novas redes após quadro regulatório

Henrique Granadeiro, o presidente da Portugal Telecom (PT), garantiu recentemente, numa conferencia no Clube do chiado, que a empresa não vai investir em redes de nova geração em Portugal enquanto se mantiver a indefinição do quadro regulatório.

Granadeiro considera que a indefinição do quadro regulatório quanto aos investimentos necessários em redes de fibra óptica é uma questão, em primeiro lugar, da União Europeia (UE) e só depois de Portugal.

"As necessidades das sociedades modernas estão acima da capacidade de oferta das redes clássicas [de telecomunicações]", afirmou à Lusa o presidente da PT que destacou o facto de existirem já produtos que requerem velocidades de 30 megabites por segundo (mbps), contra os actuais cerca de 22 mbps disponíveis.

Granadeiro deu como exemplos de solução os Estados Unidos da América (EUA), onde as novas redes de fibra óptica estão isentas de qualquer regulamentação (o dono da rede dispõe dela e pode vedá-la à concorrência), e o Japão, onde o Estado subsidia a operadora dominante, a NTT, para trocar a rede de cobre pela nova rede de fibra óptica.

A estes exemplos, o presidente da PT contrapõe a situação da UE, onde "a regulação da fibra não [está] definida", onde se registam "diversas declarações contraditórias entre a Comissão Europeia e reguladores nacionais" e a "intervenção estatal [está] interdita [na subsidiação do investimento]".

"Uma não-decisão nesta matéria é pior do que uma qualquer decisão", afirmou Granadeiro.

Para a PT, as consequências directas deste "vazio" são, por um lado, os baixos investimentos per capita em telecomunicações, quando comprados com os do EUA e do Japão e Coreia, e, por outro, a criação de uma Europa, na prática, a duas velocidades, porque alguns reguladores avançaram com a definição de quadros regulatórios sem esperar por uma clarificação de Bruxelas, beneficiando as maiores empresas desses mercados.

"A Europa está já a duas velocidades, [existindo] os consolidadores e os patos, que, provavelmente, vamos ser consolidados", avisou.

Sem uma definição a PT garante que não inicia o processo de investimento. "Não vamos na aventura de lançar o investimento sem o quadro regulatório estar definido", afirma Henrique Granadeiro.

Questionado sobre quanto tempo pode a empresa esperar por uma definição, Granadeiro afirma que a rapidez em entrar no mercado (time to market) é fundamental em telecomunicações e que esse tempo, para a PT, está "muito próximo".

"Esperamos com tranquilidade, mas com impaciência", disse.