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Decisores

2008/03/19

Gonzalez: UE está a perder influência geopolítica, económica e tecnológica

Felipe Gonzalez, afirmou em entrevista ao Financial Times, que a União Europeia está a perder influência geo-política, económica e tecnológica de uma forma muito acelerada e "em resultado disso, estamos a perder competitividade e valor".

Gonzalez destaca o fosso tecnológico entre Estados Unidos e UE e adverte para os perigos da tependência externa, em particular no domínio militar. "Comecei a preocupar-me com isto durante o conflito com as Balcãs, quando descobri que 95 por cento do informação secreta que a Europa recebia e que era necessário para conduzir operações militares no terreno era enviada por satélites norte-americanos", explicou Gonzalez, referindo que, "esta dependência da tecnologia norte-americana era alarmante, sendo que a Europa não estava a dar importância à revolução tecnológica em curso".

Convidado para presidir a uma comissão europeia, juntamente com mais seis representantes europeus, destinada a reflectir sobre o futuro da UE, o ex-primeiro-ministro espanhol pretende fazer um relatório, a ser entregue em 2010, que mostre à Europa os domínios onde esta perdeu poder económico e geo-político.

A União Europeia perdeu muito tempo a disputar como dividir o poder entre os seus estados membros, quando deveria ter estado a trabalhar a recuperação da influência económica e política no resto do mundo, assinalou.

Para Gonzalez a "Agenda de Lisboa", projecto lançado em 2000 para terminar com o fosso tecnológico da UE, identificou os sintomas da doença da europeia, "o crescimento lento, a perda de competitividade e o aumento do fosso tecnológico, mas falhou em diagnosticar a doença". "A Europa sofre de uma extraordinária rigidez corporativa", apontou o ex-primeiro-ministro espanhol, comparando com a realidade norte-americana que "oferecem um sistema que recompensa o risco, a iniciativa e eficácia".

O facto de a União Europeia não ter modificado em quase nada as suas leis do trabalho e de as suas elites políticas se terem, desde sempre, protegido umas às outras, fez com a que a inovação não fosse possível, segundo Gonzalez.

Fosso tecnológico diminui, mas desenvolvimento tecnológico abranda

O estudo 2007 European Innovation Scoreboard (Painel de Inovação Europeu de 2007), publicado a 14 de Fevereiro, demonstra que apesar de, entre 2003 e 2006, a Europa ter avançado significativamente na diminuição do seu fosso tecnológico em relação aos EUA, em 2007 o desenvolvimento tecnológico da UE abrandou, tendo esta ficado a 10 lugares de distância do gigante norte-americano, que aproveitou o ano para aumentar as exportações de alta tecnologia e o investimento público em investigação.

O estudo, que avaliou e comparou os esforços de inovação tecnológica nos estados-membros europeus em 2007, verificou que o Japão também se manteve à frente da UE, com uma distância de 15 lugares, nos campos que envolvem aumento de alunos nos ensinos superiores privado e público e no número de patentes registadas.

Olhados separadamente, a Suécia, a Finlândia e a Dinamarca superaram tanto os Estados Unidos como o Japão, deixando para trás a Alemanha e o Reino Unido.

A conclusão do estudo aponta que os membros europeus ainda não conseguiram transformar o conhecimento em matéria-prima.