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Focus

2008/03/19

Cientistas acusam: Há falta de investigação marítima

"Desde sempre se diz que o mar é muito importante para o nosso país e que temos a maior Zona Económica Exclusiva da Europa. Depois, ficamos por aí", lamentou ao Público a directora do Instituto de Oceanografia da Universidade de Lisboa, Isabel Âmbar.

A cientista salienta o facto de, ao longo dos últimos 30 anos, as ideias dos governos, de investimento na investigação marítima, não terem passado de palavras de circunstância ditas em congressos e de programas e que, depois, acabam por não passar, verdadeiramente, do papel.

"As pessoas juntam-se, apresentam conclusões e depois passam-se dez anos e voltam-se a fazer as mesmas coisas, chega-se às mesmas conclusões e prioridades. Mas, depois não se avança", explicou a oceanógrafa.

João Sentieiro, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), dá o exemplo do programa Dinamizador que teve um investimento de nove milhões de euros para 29 projectos executados entre 2000 e 2004, mas o concurso para os cientistas submeterem os seus projectos a financiamento só abriu uma vez, em 1999.

Para Manuel Pinto Abreu, chefe de Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, o Programa Dinamizador tinha muitas "boas iniciativas, mas que não tiveram o desenvolvimento que deveriam ter tido". Em alguns casos os concursos são abertos, mas acabam por não ter resposta por falta de dinheiro, como o caso da FCT que esteve um ano e meio sem saber se poderia investir nos projectos.