A racionalização e automatização da transcrição das escutas – uma capacidade actualmente inexistente em Portugal –, com todas as vantagens e ganhos operacionais, face aos actuais métodos de transcrição "artesanais" usados no país, vai ser possível com o novo Sistema de Suporte à Transcrição de Conversações Telefónicas, desenvolvido pela Edisoft, empresa portuguesa líder de infoware.
O software, apresentado publicamente a 23 de Setembro, no âmbito do projecto Tecnovoz, foi essencialmente desenhado para ser utilizado pelos órgãos de Polícia Criminal. Este sistema permite reproduzir conversações telefónicas, reconhecer e identificar a alternância de orador e transcrever automaticamente os dados de áudio. O seu funcionamento é bastante simples e pode resumir-se em três passos: introdução e selecção de peças de áudio, transcrição e edição das transcrições em sincronia com a audição das peças.
“PJ não faz perícias de voz”
Esta tecnologia, totalmente concebida pela Edisoft, é uma resposta à carência de tecnologia de ponta nesta área, identificada pela empresa, e surge num momento em que, em Portugal, é questionada a fiabilidade dos resultados obtidos, por parte das autoridades nacionais, nos processos de escutas telefónicas, como aconteceu recentemente num julgamento de homicídio, notícia avançado pelo Correio da Manhã.
“O Laboratório de Polícia Científica da PJ não faz perícias de voz para verificar quem são os interlocutores das conversas telefónicas. A confirmação de que se trata de determinada pessoa é feita com base na experiência e na mera audição das escutas, já que ainda não existe em Portugal tecnologia que garanta a fiabilidade dos resultados”. Era verdade, mas já não é...


