A Rússia propôs, durante a Assembleia-Geral da ONU, no final de Setembro, que seja organizada uma cimeira pan-europeia para desenvolver um novo tratado sobre segurança colectiva na Europa.
“A actual estrutura de segurança na Europa não passou nos fortes testes dos últimos tempos”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, acrescentando que essa estrutura se revelou “incapaz de conter o agressor e de impedir o fornecimento de armas ofensivas”, numa referência à crise na Geórgia e às independências unilateralmente proclamadas pelas repúblicas rebeldes da Ossétia do Sul e da Abcázia. O novo tratado iria, por isso, segundo Lavrov, “criar um sistema fiável colectivo, o que garantiria uma segurança igual para todos os Estados”.
CSTO amplia poderio militar
Apesar do interesse russo em estreitar laços europeus, Moscovo parece empenhado em traçar o seu próprio caminho em matéria de Defesa... Recentemente surgiu o anúncio de que a Organização do Tratado de Segurança Colectiva (CSTO) – liderada pela Rússia e constituída também pela Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão – vai criar na Ásia Central fortes forças armadas. Nikolai Bordiuja, o secretário-geral da CSTO, revelou que a Organização deseja cooperar com a NATO, mas é a Aliança Atlântica que “não quer nada” com o grupo, porque “orientam-se não por considerações da segurança dos povos e Estados, mas por cálculos políticos”.
A decisão de ampliar a vertente militar da CSTO vai de encontro a um dos ideais da Organização: qualquer agressão a um dos seus membros é considerada como uma agressão a todo o grupo, pelo que as novas tropas “serão a base das forças de reacção rápida da CSTO”, afirmou Bordiuja.
Moscovo responde a antimíssil norte-americano
As declarações de Nikolai Bordiuja, que revelam uma vontade de conciliação de interesses com a NATO, parecem, contudo, ser contrariadas por algumas intenções da Rússia já anunciadas... Moscovo vai, no dia 2 de Novembro, assinar com a Bielorrússia um acordo militar de defesa anti-aérea comum, como resposta aos planos norte-americanos de instalar um radar antimíssil na Polónia, já aceites pela NATO.

