Daniel Sanches, ex-ministro da Administração Interna (no governo de Santana Lopes) e ex-administrador da Pleiade (empresa detida pela SLN – Sociedade Lusa de Negócios), negou recentemente, junto da comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN, ter favorecido o consórcio liderado pela SLN no projecto de construção do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).
O responsável – que assinou o despacho provisório para a entrega do SIRESP ao consórcio liderado pela SLN – afirmou ter contactado com o SIRESP quando era ministro e garantiu nunca ter sido ouvido “nem pelo Governo, nem pela SLN” durante a construção do sistema de comunicações.
Sanches esteve durante oito anos no grupo SLN, mas “se fosse possível, ao fim de um mês tinha saído”, afirmou.
SIRESP posto em causa por autarquias sem meios financeiros
O SIRESP vai, finalmente, ficar concluído no final deste ano, quase uma década depois de o governo de António Guterres ter decidido comprar um sistema de comunicações para todas as entidades de emergência e segurança do País.
O projecto é, contudo, ignorado por diversas autarquias da Grande Lisboa e Porto, que “estão a negociar a aquisição de sistemas de comunicações para as respectivas protecções civis e polícias municipais”, noticiou recentemente o Diário de Notícias, adiantando que “uma delas é a de Cascais, que tem a decorrer um concurso público com esse fim”.
“Várias câmaras da Grande Lisboa e Porto receiam que o preço que o Governo vai cobrar pela utilização da rede nacional, o famoso SIRESP, seja demasiado elevado”, refere o jornal, acrescentando que “sem as autarquias, o investimento de 500 milhões de euros arrisca-se a ficar comprometido”.

