Altos responsáveis da Agência Internacional de Energia Atómica, organismo das Nações Unidas, fizeram uma análise confidencial onde afirmam que o Irão adquiriu “informação suficiente para ser capaz de projectar e produzir uma bomba atómica viável”.
O relatório dos peritos, citado pelo New York Times, destaca na sua introdução que as conclusões são provisórias, sujeitas a confirmação das provas e que as fontes usadas foram as agências de intelligence e as suas próprias investigações. No entanto, o documento vai mais longe nas suas conclusões que as posições públicas de alguns Estados, caso dos Estados Unidos, que, segundo o diário norte-americano, estão agora a reexaminar a National Intelligence Estimate (NIE) de 2007, onde se dizia que o Irão tinha suspendido os esforços para criar uma arma nuclear.
Além de ter melhorado o fabrico de bombas, através de informações recolhidas junto de malfeitores especialistas nucleares, em todo o mundo, o relatório não-oficial da AIEA apresenta evidências de que o Irão fez extensas pesquisas e testes sobre como são montados os componentes de uma arma.
Intitulado “possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irão”, o documento foi produzido em colaboração com um conjunto de peritos em armamento nuclear, dentro e fora da agência. Traça o quadro de um programa complexo, executado pelo ministério da Defesa do Irão, “que visa o desenvolvimento de uma carga nuclear a ser transportada utilizando o sistema de mísseis Shahab 3”, de mísseis de médio alcance, que pode atingir o Oriente Médio e partes da Europa. O programa, segundo o relatório, terá começado no início de 2002, com o Irão a dominar já a parte mais difícil no fabrico de armas nucleares, o enriquecimento do urânio que pode ser usado como combustível nuclear.
Embora a análise represente apenas o julgamento dos quadros da AIEA, a hipótese da mesma ser tornada pública provocou, segundo o jornal norte-americano, uma disputa que colocou o director da agência, Mohamed ElBaradei, contra o seu próprio pessoal e contra governos estrangeiros ansiosos por intensificar a pressão sobre o Irão.
Se, no mês passado, a agência divulgou um comunicado a advertir que “não tem provas concretas” que o Irão tenha procurado fazer armas nucleares, o relatório, que chegou parcialmente a alguns media norte-americanos, diz que a agência “avalia que o Irão tem informação suficiente para ser capaz de projectar e produzir uma implosão viável de um dispositivo nuclear”, com base em urânio altamente enriquecido (sendo que as armas com base no princípio de implosão são considerados modelos avançados, se comparados com a “simples” bomba-tipo que os Estados Unidos usaram no Japão).
As provas que fundamentam as conclusões da análise dos peritos da AIE não são novas, tendo algumas sido relatadas numa apresentação confidencial a várias nações, no início de 2008, pelo inspector-chefe da agência, Ollie Heinonen.

