Uma entrevista do Dr. José Mateus, editor da TDSnews, à revista “Segurança & Defesa”, na edição de Março de 2010, sobre o tema: “A Economia da Defesa é aposta imprescindível”, surpreendeu-me por ver, finalmente, alguém com uma percepção correcta duma área fundamental para o tão necessário desenvolvimento Económico de Portugal.
De facto, os países mais desenvolvidos baseiam o fomento das suas Indústrias, principalmente as que necessitam de tecnologias avançadas, na Inovação tecnológica das Indústrias de Defesa. Na realidade, Portugal já perdeu décadas sem aproveitar da melhor maneira os frutos das inúmeras aquisições de Sistemas de Defesa e Segurança, recebendo tecnologias de ponta como compensações dos fornecedores normalmente detentores das mais elevadas tecnologias mundiais. Para o efeito, foi criada uma Comissão de Contrapartidas, integrada no Ministério da Economia, mas no papel relevante de apoiar o tecido industrial não tem mostrado grande eficiência. Observe-se o exemplo do nosso vizinho cujo milagre económico dos anos 80 e 90 foi, no essencial, consequência das compensações do notável reequipamento na Defesa.
Por outro lado, para incrementar a competitividade da nossa economia torna-se necessário dispor de novos e melhores produtos, para um mercado cada vez mais global e exigente. Para isso é urgente investir mais no CONHECIMENTO, do que nas Obras Públicas.
Motivado por esta temática, permitam-me uma reflexão. Na minha óptica, deveria ser implementado no nosso país um ciclo de desenvolvimento económico, alicerçado em três patamares consequentes:
1º Debate e Conflito de Ideias
A ser desenvolvido ao nível das Universidades (Teses Académicas e Trabalhos Científicos), dos Institutos e de Fundações. São ainda de extrema importância os artigos publicados em Revistas de reflexão intelectual e científica (“Segurança & Defesa”, “Nação e Defesa”, “TDSnews”, “Órgãos Militares” e “Boletins Universitários”).
2º Projectos de Inovação e Produtividade
O referido debate de ideias e a capacidade da Indústria Nacional devem originar Projectos a serem concretizados em órgãos de Investigação (Laboratórios e Centros nas Universidades) públicos, privados e mistos. Esses Projectos devem ser homologados pelo Ministério da Economia como “Projectos de Interesse Nacional” para puderem ser beneficiados em termos de Investimento (Nacional e Internacional) e de benefícios fiscais.
3º Inteligência Competitiva
Com base em Informações Económicas Globais, o ciclo deve concluir-se com a investigação dos mercados, de modo a identificar os Projectos com capacidade de conquistar mercados e, assim, fomentar a Economia.
Mais uma vez desejo agradecer ao Dr. José Mateus a clareza da entrevista que concedeu à Revista “Segurança & Defesa” que, na minha óptica, constituiu “uma pedrada no charco” na imobilidade actual.
João Marques de Almeida
Coronel Reformado da Força Aérea

