Editorial
A coerência e o alcance do “choque tecnológico” proposto por José Sócrates serão mesuráveis logo que se perceba o seguinte:
- Que linkage se estabelece entre essa proposta/vontade e a realidade das dinâmicas start-ups das indústrias de defesa e segurança;
- Que linkage se estabelece entre esse “choque” e o capital de risco (organismos destinados a esse fim específico…);
- Que importância é atribuída ao desenvolvimento de organismos específicos de inteligência económica (que organizem e potenciem a inteligência económica existente no país, mas dispersa e, por isso, frustrada e impotente) e lhe dêem uma dimensão e uma realidade estratégicas.
Um empresário internacional, com interesses e empresas em países de todos os continentes, tenta há anos instalar em Portugal alguma da sua capacidade tecnológica mas… sem qualquer sucesso. Tornou-se, entretanto, um excelente analista da realidade portuguesa e um bom conhecedor de Portugal. Há dias, ele tipificava este país, em síntese, à TDSnews.
“Não tenho no Estado português um único interlocutor. Tenho falado com políticos e com técnicos. Os políticos não sabem nada do que estamos a falar e os “técnicos” são totalmente ignorantes na matéria. E nenhum político se lembrou ainda de recorrer a experts internacionais…
“O Estado português não está equipado para dirigir projectos estratégicos… Nem sequer tem orçamentos previstos para isso!
“O contexto, em Portugal, não é favorável a projectos hi-tech…
“Como é que se pode pôr certa gente em lugares do poder…? Eles vêem a economia por uma caixa de sapatos… É um crime contra Portugal!”
O actual governo exerce as suas funções numa situação interna muito difícil e num contexto internacional em mudança acelerada e muito competitivo. Esta situação difícil exige um upgrade das capacidades de inteligência e de decisão (este mundo global exige tempos de decisão muito rápidos, incompatíveis com a tradicional lentidão de um Estado ainda próprio de outras épocas…) não só do Governo mas de todo o Estado.
A Infoguerre explicava, recentemente, que “as pequenas frases, as questões armadilhadas e os dossiers tratados pontualmente quando surgem as crises (que retrato do nosso pequeno mundo político…!) não são a boa resposta aos problemas deste mundo.
“Para governar, é preciso antecipar. E, para antecipar, são necessárias grelhas de leitura e bases de conhecimentos performantes e à altura do que está em jogo. Forçoso é constatar que não tem sido o caso.”
A TDS News surge para dar visibilidade a estas problemáticas e às suas soluções. E tornar-se pivot deste debate que é urgente e decisivo. Fa-lo-à sem preocupações de conveniências mas sempre norteada por grande lealdade e rigor de informação.
José Mateus Cavaco Silva