Tendência2008/04/22
Aviões não tripulados nos céus da Europa
Os principais fabricantes europeus de aeronaves não tripuladas uniram-se no consórcio Air4All e querem agora autorização para que os seus aparelhos possam integrar o regular tráfego aéreo europeu.
Hoje, as autorizações são atribuídas apenas a título excepcional pelas autoridades nacionais e em espaços restritos, o que põe em cheque as várias aplicações de segurança interna oferecidas pelos aviões não tripulados e condicionadas à abertura do espaço aéreo, refere a newsletter Intelligence Online, na edição N° 566. Também as aplicações militares, que sobrevoam o espaço aéreo europeu para aceder a um país terceiro, estão condicionadas à abertura do espaço aéreo.
Os doze industriais reunidos no Air4All - BAE Systems, Alenia Aeronautica, Dassault Aviation, Diehl BGT Defence, EADS CASA, EADS Defence & Security Germany, Galileo Avionica, QinetiQ, Rheinmetall Defence Electronics, SAAB AB, Sagem Defence Systems e Thales Aerospace -, apoiados pela Agência Europeia de Defesa, em Bruxelas, estiveram já reunidos com o Eurocontrol e vão ter de realizar ainda um esforço de melhoria das tecnologias anti-colisão e de controlo dos aparelhos para ultrapassarem as reticências da opinião pública e das instâncias europeias de certificação, em particular da Agência Europeia de Segurança Aérea (AESA). Segundo os fabricantes, em causa está rentabilidade do sector.
Vigilância de fronteiras e costas, operações anti-terroristas e segurança de locais e infra-estruturas sensíveis são algumas das aplicações de Segurança Interna, em causa, se a situação de restrição do acesso ao espaço aéreo não for desbloqueada, embora alguns países recorram já a aeronaves não tripuladas no espaço aéreo nacional para vigiar o tráfego rodoviário (Suíça), das fronteiras (Israel e EUA) ou de recolha de intelligence nas cidades (França).
Os UAVs tendem a assumir, no mundo, também um papel chave na segurança e a questão está agora em saber como conciliar as necessidades de segurança do espaço europeu e as respostas que estes aparelhos não tripulados podem dar, com os naturais receios quando se fala na autonomia das máquinas, já ultrapassados no campo militar, onde os UAVs são já incontornáveis para as principais potências.
Guerra dos Robôs
È cada vez mais importante o papel desempenhado por aparelhos terrestres, marítimos ou aéreos não tripulados (UAVs) em cenários de conflito. Esta realidade é retratada pelo consultor e ex-membro das forças especiais francesas, Jean-Jacques Cecile, no recente livro "La guerre des robots”, onde são detalhados os aparelhos não tripulados espalhados pelo mundo.
No Kosovo, por exemplo, o exercito francês um sistema de UAVs para operações de vigilância. Em França, os departamentos de segurança pública vão receber, no início do próximo ano, os mini-UAVs Elsa (engin léger de surveillance aérienne). Já os Estados Unidos e Israel, recorrem com muita regularidade a diversos UAVs em cenários de conflito.
Robôs assassinos cada vez mais procurados
Os robôs assassinos automáticos são cada vez mais procurados pelas maiores potências militares, por serem mais eficazes em termos de custo e de operação no campo de guerra.
O especialista em inteligência artificial, Noel Sharkey, considera que estas máquinas de guerra, presentes em muitos confrontos, podem tornar-se numa ameaça grave quando começarem a ter a capacidade de identificar e disparar sem precisar do comando humano. Condição que a evolução tecnológica deverá atingir dentro de uma década, segundo o perito em tecnologia e inovação, James Canton, que prevê que os exércitos do futuro serão constituídos por mais robôs que soldados.
A vontade das potências militares parece seguir este caminho da evolução tecnológica, com os Estados Unidos a investirem 24 mil milhões de dólares (15,4 milhões de euros) até 2032 no desenvolvimento desta tecnologia e outros países como a Coreia do Sul, Israel, China, Índia, Rússia e Inglaterra a seguirem a mesma linha, segundo Noel Sharkey.
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