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Tendência

2008/10/21

Defesa e Inteligência na Crise


A actual crise económica e financeira global veio acelerar as, há já algum tempo visíveis, mudanças do quadro geo-político e geo-estratégico mundial. No entanto, ao contrário do que sucede noutras áreas, a Defesa costuma, em tempos de crise, andar em contra-ciclo.

Ao contrário do que sucede noutras áreas, a Defesa costuma, em tempos de crise, andar em contra-ciclo, o sentimento generalizado de insegurança económica traduz-se também num sentimento de insegurança mais generalizado, que acaba por resultar numa necessidade de reforço da capacidade militar, até porque o mercado da Defesa é – quase parece uma redundância – visto como um mercado “seguro”.

Esta evidência, contudo, não se deverá, segundo os analistas, verificar nos Estados Unidos, mas a explicação para o facto está nos fortíssimos investimentos feitos por Washington, desde o 11 de Setembro, nas áreas da Defesa e Segurança, pouco compatíveis hoje com a crise que afecta o país, em fase de transição para novas prioridades a enunciar pelo novo presidente. Uma análise do Jane's Information Group aponta para uma quebra de 75,9 mil milhões de dólares no orçamento de Defesa até 2010, para 620 mil milhões.

Este cenário abre às outras potências, sobretudo da UE e dos BRIC, o centro do palco no investimento militar e notícias recentes, em particular vindas da Rússia, da China, Índia e da França, dão conta de reforços extraordinários nas verbas para a Defesa e Segurança. No Brasil prepara-se ainda o orçamento, mas recorde-se que o de este ano, para a área da Defesa, foi 53% superior ao de 2007.

França aposta na Inteligência

Se nos BRIC a aposta centra-se sobretudo na aquisição e desenvolvimento de equipamentos militares, em França a Inteligência é posta em destaque, como a grande prioridade do investimento.

Em Moscovo são mais 2,2 mil milhões de euros aplicados na Defesa, para fazer face à actual crise, mas também para fazer face aos custos do conflito na Geórgia e à atenção particular do presidente Dimitri Medvedev para as questões da Defesa num quadro marcado por uma confrontação com os Estados Unidos.

O esforço financeiro na área da Defesa não tem parado de aumentar, com destaque para o vasto programa de relançamento da indústria de Defesa, desde a chegada ao poder de Vladimir Putine e para 2009 poderá chegar a uma soma superior a 50 mil milhões de dólares.

Em França, o primeiro ministro François Fillon assegura que "apesar da incerteza que o actual contexto tende a favorecer, os investimentos nos equipamentos militares não serão postos em causa pela crise”, mantendo-se o aumento de 5,5%, para 32 mil milhões de euros, face a 2008.

Na área da intelligence, o chefe de estado-maior das forças armadas francês, o general Jean-Louis Georgelin, anunciou já uma duplicação das verbas para os equipamentos dos serviços de intelligence militar, e lembrou que a intelligence foi considerada prioridade estratégica no Livro Branco da Defesa.

Damos o exemplo destes dois países, mas outros há exemplificativos desta tendência, sem referir o caso particular da China onde a “Revolução Industrial” chegou em força a todas as áreas e, portanto, é natural que haja um crescimento, agora atenuado por uma crise, para a qual há já curiosas explicações e interpretações.

Visão extremista sobre a crise

Para o Hamas, a crise é um “castigo divino” aos criminosos (EUA e outros países ocidentais). Numa visão também partilhada ironicamente pela al-Qaeda… ironicamente porque a crise tem afectado uma das suas grandes fontes de receita, o mercado do petróleo.