Decisores

2009/05/28

General Lemos Ferreira: "Actual crise não será facilmente ultrapassada"

A actual crise não será facilmente ultrapassada e deixará sequelas que se manterão por longo tempo, apesar das acções reparadoras que se verificam um pouco por todo o lado. A afirmação é do general Lemos Ferreira, presidente da Assembleia Geral da Associação da Força Aérea Portuguesa (AFAP), ex-Chefe de Estado-Maior da Força Aérea e ex-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

No âmbito da cerimónia comemorativa dos 25 anos da AFAP, Lemos Ferreira destacou que, nos dias de hoje, o que é essencial e é forçoso fazer notar é que quem detiver o domínio do ar e do Espaço tem na sua posse a viabilidade do sucesso, deixando ao oponente a viabilidade da derrota.

Neste aspecto, deveremos citar o caso bem significativo da República Popular da China e das suas demonstrações mais recentes vindas a público, tais como o abate de um satélite, o passeio espacial dos seus astronautas e a insígnia do seu Colégio de Defesa Aérea, em que aparece na mira como alvo o bombardeiro estratégico americano Stealth B-2, exemplificou o general.

Lemos Ferreira, realçando a importância da Inteligência Competitiva, afirmou que prever sempre foi melhor do que remediar ou corrigir mas, para o efeito, as análises a efectuar terão de estar despidas de ideologias, de cumplicidades políticas e de interesses nefastos para que possam ser exactas e credíveis.

Assumiu-se em muitos aspectos que o temporal e circunstancial se tornaria definitivo sem alterações significativas no futuro e menos ainda sem recuos ou aproximações ao passado. Sabemos ser esta forma de pensar uma pecha da maioria dos políticos que estimam a realidade circunscrita ao que decidem no momento, esquecendo-se que pouco ou nada é imutável.

No campo ecónomico-financeiro se subestimaram ganâncias e realidades, não ocorrendo a decisores e verificadores que seria possível a repetição da crise de 1929-1930 com a agravante de que tudo pode vir a ser pior dada a interdependência financeira e das economias à escala global e a mais marcante diferenciação entre pobres e ricos.

No que respeita à nossa Instituição Militar, também aqui a História tem um papel importante se nos lembrarmos que desde 1580 nunca parecemos estar preparados para as exigências do presente e do futuro previsível em matéria de defesa e segurança, sendo forçados a recorrermos repetidamente e in-extremis a terceiros para nos instituírem, nos organizarem, equiparem e comandarem.

Na verdade, é fácil subestimar a valia da Instituição Militar mas a partir de certo ponto é impossível recuperá-la, realidade que a maioria das classes políticas fazem por ignorar tal como não se apercebem que sem alguma capacidade autónoma de afirmação o Estado não é real mas apenas fictício.

Por outro lado, se é inviável responsabilizar os decisores políticos pelo que fazem no presente, pior ainda é no que respeita a consequências futuras, realidades que facilitam a actuação em impunidade
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